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TEvap: tratamento de esgoto no quintal

Conheça o TEvap, tecnologia que trata o seu esgoto no quintal com segurança e de quebra ainda cria um jardim de bananeiras produtivo.

TEvap é sigla de Tanque de Evapotranspiração, também conhecido como BET – Bacia de Evapotranspiração.

É uma tecnologia baseada na Permacultura que serve para tratar o esgoto do vaso sanitário e transformar em bananas. Em resumo: usamos a água e os nutrientes do esgoto para alimentar um canteiro de bananeiras no próprio quintal, no campo ou na cidade.

 

O esgoto do vaso sanitário entra pelo túnel de pneus e extravasa pela camada de entulho cerâmico – que funciona como um filtro biológico – onde sofre a ação de bactérias anaeróbias que digerem a matéria orgânica, liberando água e minerais, além de um pouco de gás metano, que não tem cheiro.

A água e os minerais são absorvidos pelas raízes das plantas (principalmente bananeiras). A água evapora pelas folhas e pelo solo e os minerais entram na composição da biomassa das plantas.

Se bem dimensionado para as condições e contexto locais, ele não tem saída de esgoto, funcionando como destinação final.

De quanto espaço eu preciso?

A evapotranspiração ocorre em função da área, que deve ser calculada a partir da base de 2 m2 por pessoa que for usar o sistema. Por exemplo: Uma família de 4 pessoas precisa de um espaço de 8m2 para instalar o TEvap, mais um espaço para circulação ao redor dele. A profundidade é sempre a mesma, em qualquer caso: entre 1 m e 1,20 m.

Mas não vai contaminar o solo e a água?

Para evitar a contaminação do solo e da água e também para a criação de um ambiente anaeróbio no tanque, ele precisa ser cuidadosamente impermeabilizado, tipo uma piscina, só que sem ralo. Pode ser construído em alvenaria, ferro-cimento ou com colocação de lonas, que é o melhor custo-benefício.

  •  

Passo-a-passo:

    • Escavação da vala nas dimensões indicadas

    • Colocação de uma manta geotêxtil (bidim) entre o solo e a lona plástica (para proteger a lona)

    • 2 ou mais camadas de lona plástica. Devem ficar bem folgadas, pra não esticar na hora de colocar o entulho.

    • Túnel de pneus: é uma câmara de recepção do esgoto, para acomodar os sólidos e o sistema não entupir. Podem ser utilizados outros materiais além de pneus.

    • Camada de entulho cerâmico, até a altura dos pneus (50 – 60 cm) 

    •  Manta geotêxtil (Bidim) acima da camada de entulho, também bem folgada, pra não criar pontos de tensão. Deve ficar bem colocada nas laterais e pode ser sobreposta nas emendas sem necessidade de cola.

    • Camada de terra. 

      • Pode ser devolvida parte da terra retirada na escavação, elevando a superfície do solo no centro do tanque, com uma declividade para as laterais, de forma que a terra passe por cima do topo das paredes do tanque.

      • Quando o preenchimento com terra chegar ao nível original do solo, o excedente da lona deve ser enrolado junto à parede ou cortado, de forma que não seja uma barreira para a infiltração da água ou desenvolvimento de raízes.

    • Leito de plantio 

      • Depois do preenchimento com terra já estar no formato final, uma camada de mais 5 cm de terra bem adubada com materiais orgânicos é colocada para finalização.

São plantadas cerca de 1 bananeira para cada 2 m2 e outras plantas ornamentais e comestíveis, desde que não tenham raízes pivotantes.

Referências para estudo

Dissertação Adriana Galbiati

http://www.fazenda.paginas.ufsc.br/files/2017/02/2009-GALBIATTI-Tratamentode-aguas-negras-por-tanque-de-evapotranspiracao.pdf

Catalosan – FUNASA

http://www.funasa.gov.br/biblioteca-eletronica/publicacoes/estudos-e-pesquisas1/-/asset_publisher/qGiy9skHw4ar/content/catalosan-catalogo-de-solucoes-sustentaveis-de-saneamento

Saneamento Rural – Unicamp http://www.fec.unicamp.br/~saneamentorural/index.php/publicacoes/livro/

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Jardim Agroecológico

O Jardim Agroecológico é orgânico, regenerativo, sem venenos ou insumos químicos. Considera o ser humano parte integrante da natureza e segue os princípios da permacultura e agroecologia: cuidar da terra, cuidar das pessoas, compartilhar saberes e colheitas, cuidar do futuro.

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12º Responda criativamente às mudanças

Sim, quando nos propomos a fazer um planejamento permacultural de um espaço, prevemos o que, quando, onde e como os elementos serão distribuídos. Mas quem está integrado com a natureza sabe: ela num cabe em nenhuma caixinha. Então, sempre, em todos os designs que já foram feitos no planeta, ocorrem imprevistos: tal planta não gostou daquele lugar, surgiram espontâneas não previstas no projeto que se dão muito melhor com aquelas condições, a vaca estourou a cerca, a chuva não veio, ou choveu muito mais do que o previsto, enfim, são inúmeras as possibilidades de imprevisões que, certamente, aparecerão durante a implementação do seu planejamento.

Um exemplo bem presente no cotidiano de todos os leitores deste post é a migração para as atividades online. Com a restrição do contato físico causado pelo surgimento da pandemia do COVID 19, quem conseguiu se adaptar para o mundo virtual conseguiu manter seu projeto rodando.

O autor deste post, com a crise da falta d”agua em São Paulo em 2014, tornou-se cisterneiro, instalou centenas de sistemas e capacitou centenas de pessoas Brasil adentro através do projeto Escola de Cisterna. É tudo uma questão de ponto de vista: torneiras secas enquanto as chuvas  alagam a cidade. Crises geram oportunidades e é também sobre isso que fala este princípio.

Conheça os outros princípios do planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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11º Use as bordas e valorize os elementos marginais

Acontece um fenômeno muito importante nas bordas: o encontro entre realidades diferentes. Um dos motivos pelos quais a cidade de São Paulo se tornou a maior metrópole do Brasil é o fato dela estar numa região de bordas. Pouca gente sabe, mas antes de receber a sua capa de concreto, nossa cidade possuia uma das mais ricas biodiversidades do continente. O motivo é simples: estar situada entre o cerrado e a mata atlântica. Quando dois biomas se encontram nós temos uma diversidade enorme de espécies resilientes, capazes de cruzar de cá para lá, de sobreviver em “universos” diferentes. Portanto é importante estarmos atentos à região das bordas que oferecem, além de limites, riquezas e possibilidades improváveis nos centros.
Aumentando-se a borda entre o terreno e a margem de uma represa pode-se aumentar a produtividade de ambos. Um design que percebe o limite como uma oportunidade e não como um problema tem maiores chances de sucesso e adaptação (HOLMGREN, 2007)
Mais uma vez usando a cidade de São Paulo como exemplo, temos nas bordas os mananciais que garantem o fornecimento de água da cidade,  é nas hortas periurbanas onde são produzidas boa parte das hortaliças que abastecem os mercados da cidade e seu Cinturão Verde oferece importantes serviços ambientais para a cidade. Cinturão Verde da Cidade de São Paulo. Foto: Instituto Água O Instituto Florestal elenca os 10 grandes benefícios do Cinturão Verde para a cidade São Paulo:
  • abriga os mananciais que abastecem a cidade e as cabeceiras e afluentes dos rios que cortam a área urbana;
  • estabiliza o clima, impedindo o avanço das ilhas de calor em direção à periferia;
  • auxilia na recuperação atmosférica filtrando o ar poluído, principalmente de substâncias particuladas;
  • abriga grande biodiversidade de espécies;
  • protege os solos de áreas vulneráveis, onde se produzem chuvas torrenciais, amenizando as enchentes na malha urbana;
  • uso social
  • garante parte da segurança alimentar das cidades;
  • constitui reserva do patrimônio cultural;
  • apresenta forte potencial para novas descobertas científicas;
  • estimula as atividades autosustentáveis.
Foto de satélite LANDSAT da RBCV  

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6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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10º – Use e valorize a diversidade

O que acontece quando acaba a água na sua casa? Você fica sem, certo? Quando aplicamos direitinho os princípios do planejamento permacultural, a resposta é outra. Sem a água da rua, usaremos a água da chuva. O permacultor quando planeja a sua morada pensa sempre nisso: todos os recursos importantes da casa precisam ter pelo menos duas fontes diferentes. Se você tem uma fonte só e ela acaba, você fica sem. Se você tem pelo menos duas, tem um plano B.

Outro exemplo são as fontes de energia elétrica: não adianta ter só um sistema fotovoltáico e não ter um plano B. Três dias nublados consecutivos podem acabar com a sua autonomia. Será que não vale a pena então termos uma ligação com a concessionária para emergências? Uma mini turbina eólica? Passa um rio na propriedade? Além do sistema solar, será que não vale a pena termos também uma mini hidrelétrica?

 

Produção de alimentos

É por isso que monocultura não tem nada a ver com a permacultura. A gente gosta é dos sistemas agroflorestais: um monte de plantas juntas ocupando o mesmo espaço, exatamente como na floresta. Em cada momento do ano, alguma coisa diferente está frutificando. Em consórcios como a milpa (milho, feijão e abóbora) o milho serve de suporte para o feijão subir, que por sua vez libera nitrogênio que a abóbora, forrageira, que vai deixar o solo coberto e úmido para as outras, adora!

Sim, agrofloresteiros experientes vão usar muito mais de 3 plantas em seus canteiros. A observação dos ciclos naturais vai permitir que o agrofloresteiro misture dezenas de plantas no seu canteiro, atraindo uma biodiversidade imensa de insetos, pássaros e outros animais que vão dispersar sementes pela área toda, em troca de uma parte da produção.

Agrofloresta fonte: agroecologia.org.br

Não é uma beleza, uma biodiversidade imensa se beneficiando de um plantio? Uma biodiversidade imensa se beneficiando do seu açude que é apenas um dos seus sistemas de amarzenamento de águas? É a diversidade que garante a resiliência dos sistemas. Quem coloca todos os ovos numa cesta só, quando leva um tombo perde tudo.

 

Conheça os 12 princípios do planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

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3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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Dia-a-dia: Compras lixo zero

A dica de hoje é sobre como reduzir o impacto no meio ambiente apenas evitando o consumo de embalagens.

Antes de ir ao mercado e à feira, preparo um kit: saquinhos de tecido, potes de vidro e sacolas reutilizáveis.

Você pode reaproveitar saquinhos de sapato, biquinis, ou até aproveitar aquela roupa velha que você não sabe como descartar. Eu uso saquinhos de algodão cru para poder colocar na composteira quando eles se desgastarem. Os potes de vidros vieram do mercado com palmitos, geleias, molhos e óleo de coco.

Para comprar a granel utilizando as suas embalagens, peça para a/o atendente da loja pesar o recipiente e descontar a tara do valor final. Comprar dessa forma também é muito mais econômico. Por exemplo: 1kg de bicarbonato de sódio custa em torno de R$ 5,00 nas mercearias a granel, no mercado comum o pacote com 80g geralmente custa R$ 3,00.

Ultimamente tenho utilizado mais recipientes de vidro do que saquinhos pra não ter que trocar os produtos de embalagem. Higienizo os potes e escrevo o nome do item que desejo com marcador permanente, evitando também o uso da etiqueta. Quando chego em casa, limpo mais uma vez com álcool 70 e guardo no armário.

Se você não se sentir seguro para carregar muitos potes, use os sacos para os grãos e dê preferência para armazenar as farinhas e temperos nos recipientes de vidro.

Na feira eu geralmente levo uma sacola reutilizável e coloco todos os itens juntos, sem sacos plásticos. Levo sacos de tecido apenas para separar os itens pequenos como tomates-cereja e uvas. Outra vantagem dos produtos a granel é a diminuição do desperdício. Compro somente a quantidade que preciso e garanto que o que tem no armário está sempre fresquinho.

Mas e os produtos que não podem ser comprados desse jeito?

Sempre que possível, tento escolher o tipo de embalagem com mais chances de ser encaminhada para a reciclagem – como latas de alumínio, vidros e plásticos transparentes. Evite pacotes metalizados (tipo de salgadinho), sacos plásticos, embalagens de isopor e longa vida. Em São Paulo, é possível reciclar esses materiais, mas mesmo assim precisamos nos esforçar pra encontrar um ponto de entrega voluntária para destinar corretamente.

Os supermercados costumam ter pesagem no caixa. Leve sua sacola e saquinhos reutilizáveis.

Se esqueceu a sacola, tente usar a mesma para colocar diversos itens. Evite separar cada produto por sacola. Ou verifique com algum funcionário se não há uma caixa de papelão dando sopa. E use-a para carregar suas compras.

Eu compro meus itens da feira direto do produtor e uma das coisas mais legais é que eu encontrei uma maneira de fazer a logística reversa. Devolvo pra ele as redinhas, os fios de amarração e os saquinhos das verduras higienizados. Ele consegue reaproveitar embalando outras hortaliças e dessa forma prolongamos a vida útil de algo que foi criado pra ser utilizado apenas uma vez.

Sabia que temos uma lei desde 2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei nº 12.305) que obriga as empresas a aceitarem as embalagens de seus produtos descartados e os responsabiliza pelo destino desses itens?

Apesar de ser uma exigência legal, a gente sabe que a maioria das empresas não possui um sistema de logística reversa estruturado.

No entanto, quanto mais a gente cobrar, mais chances teremos da lei ser cumprida de verdade.

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Conceitos importantes

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O que é agroecologia?

Verdade seja dita: é muito sedutora a ideia de deduzir o conceito de agroecologia apenas separando a palavra em “partes” e analisando-as com base no que geralmente somos ensinados sobre o que é “agro/agricultura” e sobre o que é “ecologia“.

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Centro de distribuição de alimentos agroecológicos é inaugurado em São Paulo

Em plena pandemia de corona virus a cidade de São Paulo ganhou um novo presente: um entreposto de alimentos agroecológicos produzidos no cinturão verde da cidade, o Galpão Agroecológico.

Com a saúde em risco por conta do novo vírus e a economia em crise por conta da quarentena, milhares de pessoas em vulnerabilidade viram as suas situações ainda mais agravadas. Com a fome e as enfermidades batendo com força à porta de tantas famílias nasce na cidade uma iniciativa, os Anticorpos Agroecológicos. O grupo arrecadou dinheiro com quem pode doar e comprou alimentos provenientes da agricultura familiar afim de distribuí-los para quem precisa nas periferias da cidade.

Depois de 9 toneladas de alimentos doados providos por 19 núcleos de produção agroecológica, distribuídos graças ao apoio de dezenas de voluntários, atendendo a 110 comunidades na periferia da capital paulista, a rede conseguiu locar um espaço no bairro do Rio Pequeno, no subdistrito do Butantã, na zona oeste de São Paulo. 

Segundo Lucas Ciola, um dos fundadores do Anticorpos Agroeológicos, os produtores da rede agroecológica paulista já careciam de um entreposto dentro da cidade de São Paulo mesmo antes da chegada do vírus e como toda crise traz oportunidades, “a pandemia propiciou conseguirmos esse espaço para chegada e armazenamento dos alimentos na cidade e nós esperamos mantê-lo mesmo depois que a crise passar”.

Agroecologia: remédio contra a pandemia

Para quem não tem familiaridade com o movimento da agroecologia, falamos de “uma rede de coletivos que planta, colhe, doa alimentos, apoia agricultores familiares e a preservação da natureza, ocupa espaços urbanos com hortas, busca conexões com o mundo rural, faz barulho e pressão por políticas públicas que levem abundância e qualidade nutricional para a população, inclusive tirando o veneno dos nossos pratos e da nossa água” explica a co-deputada estadual pela Bancada Ativista, Cláudia Visoni.

Para poder distribuir os alimentos produzidos no cinturão verde de Sampa dentro da capital, se faz necessário um entreposto, ou seja, um centro de distribuição que receba os caminhões de madrugada cheios de comida recém colhida e armazene tudo em condições adequadas até que os distribuidores locais venham buscar. 

No modelo atual de distribuição de comida fresca da capital paulista, toda a produção do Brasil vai parar num único local, o CEAGESP, onde todos os distribuidores incluindo as redes de supermercados, lojas, sacolões, feirantes etc vão buscar a comida que será então vendida para o consumidor final.

Sabe aquele melão amarelinho, lindo e maravilhoso que custa uma fortuna no supermercado do seu bairro? Foi comprado do produtor a um valor baixíssimo, produzido com um monte de agrotóxico e rodou mais de 3 mil kilômetros para chegar do Ceará até o CEAGESP, queimando um monte de óleo diesel ao longo de todo o caminho até se encontrar com todos os demais produtos que vem de longe até se encontrarem na avenida mais poluída do Brasil, a Gastão Vidigal, onde fica nosso único centro de distribuição. 

Modelo descentralizado

A rede agroecológica paulista propõe um modelo diferente. Ao invés de concentrarmos tudo o que vem de longe num único centro de distribuição, sua proposta é fomentar a criação de vários galpões espalhados pelos quatro cantos da cidade, cada um recebendo alimentos produzidos perto de si. 

O Galpão Agroecológico surgiu no bairro do Rio Pequeno, na zona Oeste paulistana, e os principais fornecedores hoje são a Rama Rede Agroecológica de Mulheres Agricultoras da Barra do Turvo, e também o MST da regional grande São Paulo e eventualmente de outras regiões.  Nenhum dos alimentos vendidos no galpão levou veneno para ser produzido e todos vieram de coletivos, cooperativas, redes ou movimentos que produzem no sistema de agricultura familiar, pagando um valor justo e tratando as familias produtoras com o devido respeito e admiração.

Feira livre com comida orgânica, educação ambiental e arte

Além de atuar como centro de distribuição, o Galpão Agroecológico atua também pretende atuar como feira-livre aos sábados, oferecendo ao público da Zona Oeste a possibilidade de comprar seus alimentos por ali mesmo (acompanhe a programação na página antes de sair de casa).

Além da venda de comida e de alimentos beneficiados pela rede agroecológica como geléias, pães, molhos, cervejas artesanais e até vinhos orgânicos, a idéia é que aos poucos o galpão receba atividades culturais: shows, oficinas de permacultura e demais atividades culturais que facilitem a integração entre o público da região e os princípios da agroecologia. 

Segundo Juliana Prado, gerente do espaço, “a feira tem como objetivo ajudar o galpão a se tornar sustentável a longo prazo, que é um projeto social que visa a promoção e fomento da agroecologia aqui no bairro”.

A feira do galpão está aberta a receber novos produtos dos produtores agroecológicos das cercanias paulistanas e também de artesãos interessados em vender seus produtos por consignação na feira. Os interessados podem falar diretamente com a turma dos Anticorpos Agroecológicos via redes sociais

A idéia é boa? Bora apoiar!

A iniciativa está no começo, é pequena e enfrenta muitos desafios pela frente, mas tem tudo para ser um belo exemplo para ser seguido por toda a cidade. Quer fortalecer o projeto? Entre na página dos Anticorpos Agroecológicos, compre seus produtos, divulgue para a sua rede e acompanhe de perto a sua trajetória.

Serviço

Endereço: Av. Otacilio Tomanik, 926, Butantã
Horário de atendimento: consulte-os via redes sociais.

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9º – Use soluções pequenas e lentas

Recém formado no meu PDC, queria emplementar todos os sistemas que aprendi no curso em minha casa. Já tinha cisternas e composteiras em casa, mas queria tudo: instalar um biodigestor, o aquecimento solar, a leira de compostagem para as folhas do quintal, o telhado verde, tratamento de águas cinzas, ampliar a área da horta, estava ávido por mudar tudo de uma vez.

Acontece que cada sistema tem necessidades específicas, que você só entende, a partir do momento em que começa a usar. E a gente leva um tempo para se adaptar. Erramos no processo e tudo isso faz parte do nosso aprendizado. Como não tinha dinheiro para obras, comecei as ações em casa produzindo a famosa enzima cítrica.

Não queria investir no açúcar mascavo, então fiz várias levas com açúcar branco. Obviamente não fermentou tão bem quanto as primeiras com o ingrediente da receita original. Buscando outras formas de economizar, tentei usar rapadura. Também não fermentou tão bem. Cada teste desses levou meses para me oferecer um resultado. Depois de um ano de práticas, teimando contra a receita original, afim de economizar dinheiro entendi que o negócio não era encontrar um ingrediente mais barato para a minha receita e sim um fornecedor mais barato para o ingrediente com a qualidade adequada.

Ao invés de instalar sistemas novos, decidimos mudar hábitos que não requerem reforma: substituímos as buchas sintéticas por buchas vegetais. Já havíamos substituído os produtos de limpeza pelas enzimas (que levaram um ano para ficarem realmente boas), as vassouras de plástico pelas de palha e então chegamos nas buchas. Um passo por vez, com tempo para nos adaptarmos.

Cinco anos depois de formado, com todos os aprendizados de todos os sistemas instalados em casa começamos a nossa produção de alimentos no sistema de aquaponia. Se estivéssemos aprendendo tudo ao mesmo tempo, não conseguiríamos dar a devida atenção ao processo o que poderia custar a vida dos peixes.

Um sistema por vez, um aprendizado por vez. Passos pequenos e lentos garantem que você consiga fazer todas as mudanças desejadas na sua vida de forma orgânica, consistente, sustentável. 

Observando os padrões no seu espaço, o que você encontra? Eles te inpiram de alguma maneira? Poderia algum deles se transformar numa intervenção no seu lugar? 

Bom trabalho de observação, até o próximo princípio de planejamento permacultural! 

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Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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O que é agroecologia?

Verdade seja dita: é muito sedutora a ideia de deduzir o conceito de agroecologia apenas separando a palavra em “partes” e analisando-as com base no que geralmente somos ensinados sobre o que é “agro/agricultura” e sobre o que é “ecologia“.

Mas o quê pode haver de tão diferente se há anos estamos acostumados com campanhas que tentam sensibilizar massivamente sobre causas ecológicas, por exemplo salvar a Amazônia, a Mata Atlântica, o boto rosa, o mico leão dourado… ? Como não associar o que é “agro“, se todo dia na televisão a locução de um vídeo cheio de imagens-clichê diz que tudo quanto é coisa do agro é pop ?

O fato é que conceitos-padrão-massificados limitam muito o entendimento do que é agroecologia, e prejudicam a possibilidade de perceber o quanto esta é uma das mais bonitas, completas e potentes abordagens de relação humana com a terra, com a produção de alimentos e com os diversos seres que são parte desse processo. E de perceber, ainda, que ela é um ferramenta super importante para as transformações sociais e ambientais que precisamos.

Agroecologia diz respeito a praticar uma agricultura na qual humanidade e natureza estão integradas.

Características importantes
Praticada em bases populares e familiares, a agroecologia geralmente aponta algumas características como:

  • ser praticada em pequenas propriedades;
  • produção para o consumo familiar e/ou para abastecimento de mercados locais;
  • adaptação de tecnologias à realidade específica;
  • elevado conhecimento sobre ciclos agrícolas e da natureza;
  • produção própria de sementes e insumos;
  • possibilitar trocas informais e colaborativas (trabalho, conhecimento, excedente de produção), e cooperação solidária em rede;
  • canal direto produtor – consumidor;
  • autogestão simplificada pela própria comunidade produtora
  • valorização dos saberes ancestrais

A Agroecologia promove uma integração sistêmica desses diversos elementos, recusando ser uma prática isolada e, ainda mais, em ser limitada como é um monocultivo.

A Natureza é uma só – e nós somos parte dela
Essa integração sistêmica nos mostra que na prática agroecológica os vários elementos e seres que existem no ambiente devem ser manejados com muito cuidado. Dessa forma, a ação humana não ultrapassa limites naturais da existência ou da presença desses elementos no ambiente, e segue, ela própria, as características culturais locais dos agricultores e agricultoras que a praticam em cada região, em cada lugar. Tornando-nos assim um elemento a mais nesse agroecossistema, sem causar impacto e mantendo-o com diversidade – algo fundamental para que se mantenha em equilíbrio.

Agroecossistemas equilibrados e com bastante diversidade de cultivos demandam menor investimento de trabalho e insumos, uma vez que seus próprios elementos interagem na medida exata de manter o sistema ativo, produtivo e nas condições favoráveis para todas as formas de vida nele presentes. Sistemas equilibrados são mais resistentes e a produção oriunda tem altos índices nutritivos, reforçando o sistema imunológico e ativando anticorpos.

História e referências da agroecologia
Citamos acima a má-ideia de deduzir sobre agroecologia a partir da separação das partes da palavra, e analisar com base em informações massificadas. Cabe então referenciar sobre a origem do termo e suas definições básicas, conforme ensina o autor Pedro Antonio Gaddo Torres em sua pesquisa realizado na UFRGS no ano de 2008 :

A agroecologia é derivada de duas ciências, a ecologia e a agronomia. Cada uma delas ocupando-se de suas próprias pesquisas. A ecologia preocupa-se, preferencialmente, de estudar os sistemas naturais e a agronomia dedica-se à prática da agricultura. (…) No final da década de 1920 a ecologia e agronomia se cruzam quando passam a ser desenvolvidos estudos e experiências de cultivos ecológicos. (…) O termo agroecologia vai ser proposto por estes ecologistas na década de 1930 e o fizeram no sentido do uso da ecologia aplicada à agricultura. Deste período até a segunda guerra mundial a ecologia consolida-se como ciência e sua aplicação nas práticas agrícolas acaba ficando como função própria dos agrônomos.

Seguindo a cronologia histórica a que se refere a citação, começa a partir de década de 1940 um período de grandes transformações geopolíticas de um mundo pós-guerra que incluem, por exemplo, profundas mudanças em práticas agrícolas. Estas diziam respeito a uma cadeia articulada de medidas e investimentos de base, apoiados e financiados pelo poder econômico e político em escala mundial. O que vem daí é uma prática agrícola voltada para aumentos exponenciais de produtividade agropecuária, através de intenso uso químico, alta mecanização e avanço sobre propriedades de pequeno e médio portes.

Ao mesmo tempo em que essas transformações aconteciam nos cenários macro econômico e político, em outras partes e com outras abordagens, alguns conceitos iam surgindo em ambientes acadêmicos/pedagógicos que, de certa forma, começavam a ajudar a formar crítica e reflexão. É dessa época, a partir dos anos 1950, que conceitos como o de ecossistema, por exemplo, começam a ser disseminados.

Vale ressaltar que bem nessa época, em 1948, chegava para consolidar-se no Brasil junto com a família, a estudiosa austríaca Annemarie Conrad, que aqui ficou conhecida por Ana Maria Primavesi

Engenheira agrônoma de formação, ela foi uma das maiores referências em agroecologia com os estudos, pesquisas e trabalhos que produziu ao longo dos anos. Sua atuação defendia a relação do homem com o ambiente e questionava a lógica do capital na agricultura: Sem a natureza não existimos mais, ela é a base da nossa vida. Lutar pela terra, lutar pelas plantas, lutar pela agricultura, porque se não vivermos dentro da agricultura, vamos acabar. Não tem vida que continue sem terra, sem agricultura. Recentemente falecida (janeiro de 2020), deixou extenso legado técnico e sensível sobre entendimento do solo como um organismo vivo e sobre manejo ecológico.

A força popular e dos pequenos, os saberes históricos e a produção acadêmica
O processo de desvalorização de conhecimentos tradicionais remonta longa data. Se pensarmos bem, não é difícil perceber que, no caso do Brasil, desde a chegada dos portugueses estamos passando por uma contínua supressão de práticas de cultivo e modos de vida, em nome de interesses de relações de poder para poucos, e de modos bem questionáveis. Escravização de povos transformados em mão de obra; exploração abusiva de imigrantes; estímulo desenfreado à monocultura latifundiária para fins de exportação; Revolução “Verde” no pós II Guerra; transformação tecnológica e química extrema que levam ao que hoje é chamado agronegócio; são exemplos de como historicamente subjugamos conhecimentos tradicionais. E constatações bem iniciais de como essa prática predatória vem trazendo consequências ambientais e sociais há bastante tempo.

Apesar disso, a agricultura familiar se mantém, de todos modos, como um dos pilares de abastecimento em diferentes escalas, quase como uma resistência silenciosa ante a voracidade do contexto geral onde é inserida. Adequada à produção familiar e camponesa, a cultura agroecológica geralmente é bem atrelada ao comércio local de alimentos básicos para a população. Através do fortalecimento de comunidades de agricultores familiares, ela reforça o senso de cooperação, do trabalho associativo na produção e comercialização, e nos movimentos por defesa de condições sociais gerais.

Mas ao mesmo tempo que atua em pequenas escalas de comércios locais, a agricultura familiar também tem papel importantíssimo em escalas maiores, desempenhando papel fundamental em uma extensa cadeia de valor que abastece grandes centros urbanos.

Tão fundamental a ponto de ter grande participação em estudos e análises do setor acadêmico sobre o tema. Nas plataformas das bibliotecas digitais de universidades públicas brasileiras há inúmeras teses de bacharelado, mestrado e doutorado tratando sobre a agroecologia em diferentes aspectos e abordagens de conhecimento, como na UFRGS, na UFSC ou na UFBA.

Outro exemplo de participação do ambiente acadêmico na agroecologia e na agricultura familiar é o projeto BOTA NA MESA, iniciativa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP. Atuando desde 2015, “busca promover a inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos, considerando o comércio justo, a conservação ambiental e a segurança alimentar e nutricional.” O trabalho desenvolvido ao longo desses anos, levou à construção de certas diretrizes, em desdobramento das experiências de atuação em campo, apoiando cooperativas de agricultores familiares no acesso e desenvolvimento de mercados para suas produções. Essas Diretrizes Bota na Mesa dizem respeito a 5 temas da cadeia de alimentos identificados como prioritários pelo grupo: juventude na agricultura, infraestrutura e tecnologia, relações de consumo (em 2018), transição agroecológica e mudança do clima (em 2019). Especificamente sobre agricultura familiar e o abastecimento de grandes centros urbanos,  o projeto gerou esta publicação na qual compartilha identificação de desafios e sugestões de encaminhamentos práticos.

Assim como o potencial de um sistema agroecológico é melhor aproveitado quando diverso em diferentes cultivos, uma rede de conhecimento sobre o tema pode ser altamente rica quando dispuser de grande diversidade de informações, relatos e experiências de quem a pratica, estuda e apóia.

Nesse sentido, a manutenção do compartilhamento de saberes populares e tradicionais continua sendo fundamental nessa rede, uma vez que valoriza e fortalece através do contato direto, individual e através da afetividade da oralidade.

O acúmulo de conhecimentos que comunidades tradicionais têm sobre ciclos naturais e sobre as relações que compõem os ambientes é de valor inestimável, e é baseado neles que a Agroecologia mais se fundamenta. Uma visão contemporânea de que é possível agregar conhecimentos científicos, com critério e coerência, que potencializem ainda mais esses saberes tradicionais, precisam ser sempre muito cuidadosos para não descaracterizar a cultura comunitária tradicional.

Relação com a terra é direta e potente na prática agroecológica. (Fotos: Projeto Depois da Curva)

Agroecologia como ferramenta de transformações sociais
Nesse momento da existência humana, estamos diante de claríssimos sinais do esgotamento de sistemas produtores em latifúndios de monoculturas para exportação, e de tudo o que demanda para ser praticada, com as consequências trágicas que traz tanto para a população rural quanto para a urbana.

As profundas transformações no campo que iniciaram gigantesco movimento de êxodo para as cidades, somado ao sistema econômico que cada vez mais acentua diferenças sociais pela de desigualdade de oportunidades e condições, há anos continuam sendo determinantes para trazer complexidade ao cenário político-social e a certeza de que sem transformações estruturais de base qualquer solução tende a ser paliativa, temporária, ineficaz ou, pior ainda, seletiva.

Nesse sentido, e em contra-posição a esse modelo auto-destrutivo de construção de sociedade, falar sobre conceitos e definições teóricas de Agroecologia sem citar o trabalho desenvolvido pelo MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra seria deixar de lado um dos melhores exemplos que existem no mundo sobre como é possível praticar uma agricultura que não seja destrutiva ao meio e que traga os benefícios que cada ponta da cadeia alimentar necessita.

Um tempo atrás o Movimento alcançou a marca de se tornar o maior produtor de arroz agroecológico do mundo, fato noticiado por inúmeras fontes, como nesta matéria da BBC ou nesta da Revista Globo Rural, e atestado por organismos de certificação nacionais e internacionais. Essa é uma conquista marcante mas que não encerra a agroecologia na atuação do MST.

Ao longo dos anos o  Movimento foi percebendo que a luta pela causa do acesso à terra pelos trabalhadores rurais era insuficiente como contribuição ao problema da produção de alimentos, e passaram a incorporar a agroecologia com mais força de atuação e diálogo com a sociedade rural e urbana. A existência de programas de cooperativismo entre famílias de cultivo agroecológico permite que elas se fortaleçam como núcleos e como grupo, se preparem ainda mais em estrutura e experimentem mais oportunidades de escoamento de suas produções.

Com a agroecologia, a liberdade de exercer sua atividade sendo respeitados e valorizados, a obtenção de aprendizados e conhecimentos de planejamento e organização vindos da atuação cooperativa, e a possibilidade de praticar seus saberes culturais históricos, dá a essas famílias uma das condições humanitárias mais básicas: a de ter e desempenhar uma função social.

E junto com isso, força para resistir, para reivindicar e continuar sendo exemplo para a sociedade.

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Dia-a-dia: Cafezinho sustentável

As vezes, basta uma mudança sutil no nosso dia a dia para reduzirmos consideravelmente a geração de lixo no planeta. O que pode parecer trabalhoso, trata-se apenas de uma troca de hábito.

Por exemplo, o meu dia só começa depois de um bom cafezinho coado. E, claro, passado na hora. Para evitar a produção de lixo, voltei a usar o bom e velho filtro de pano – feito com tecido 100 por cento algodão.

Existem filtros de diversos tamanhos que podem ser encaminhados para a composteira quando não der mais para usar.

Para limpar, é só jogar água fervente e esperar secar antes de guardar. Você também pode armazená-lo dentro de um pote com água na geladeira. E assim, evitar a proliferação de bactérias.

Existem outras alternativas para tornar sua rotina com o café mais sustentável:
– prensa francesa
– cafeteira italiana
– filtro de aço

Os filtros de papel também são compostáveis, mas podem conter dioxina. Essa substância está presente em papéis que passam pelo processo de branqueamento e causam uma série de problemas para a nossa saúde.

As cápsulas podem até parecer uma solução prática, mas são feitas de uma mistura de materiais (alumínio e plástico), o que dificulta a sua reciclagem. Apesar de algumas empresas garantirem a sua recuperação, esse processo demanda recursos como: água, energia e transporte. Além disso, é preciso encaminhar o resíduo até um ponto de coleta. E é ai que o ciclo geralmente não fecha.

A escolha do café também é importante. Se possível, dê preferência aos cafés agroecológicos, que farão bem para você, para quem produz e para o meio ambiente. Busque na sua cidade (região) alguma feira ou comércio voltados para a agricultura familiar, onde você poderá encontrar produtos de qualidade e com preço justo.

Sabia que você ainda pode reaproveitar a borra do café? 

Receitinhas com borra de café

Adubar as plantas: Misture 100 gramas da borra de café em 1 litro de água e borrife nos vasos.

Esfoliante: Misture o pó de café usado com um pouco de água ou óleo de coco. E esfregue suavemente na pele do corpo e rosto.

Neutralizador de Odores: Coloque a borra de café numa tigela e deixe secar ao sol. Na geladeira ou freezer, ela ajuda a neutralizar odores indesejados.

Trocar o filtro de papel pelo de pano é um exemplo de atitude simples que pode contribuir para a preservação do meio ambiente. E, de quebra, ainda te ajuda a economizar. Fácil, né?

Nesta coluna, vou apresentar pequenas mudanças que adotei em minha rotina para me tornar uma consumidora mais consciente. Tem sido uma jornada incrível e que me faz descobrir novas possibilidades, além de exercitar a criatividade.

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Dia-a-dia: Compras lixo zero

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10º – Use e valorize a diversidade

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8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

Mutirão em pracinha na Brasilândia durante o PDZ ZN do PermaSampa em parceria com o Kolombolo Dia Piratininga
Cursistas preparando os canteiros para plantio na pracinha.
Galera reunida levando as mudas para o plantio. Na hora do mutirão nem o pé quebrado tira a alegria dos participantes.
Além de linda, a praça também ficou super divertida!
Muros do Kilombolo pintados com tinta de terra
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O ícone deste princípio faz alusão a pessoas em círculo, abraçadas, unidas. Quem já participou de um mutirão sabe do poder que sentimos quando vemos aquela tarefa penosa que levaríamos semanas para executá-la sendo realizada em um único dia, com leveza, entre risadas, cantoria e com direito a lanche coletivo sentado à sombra da maior árvore do lugar.

Eficiência, produtividade e prazer: esse é o poder da interdependência.

Além de fortes, juntos nós também somos mais felizes. E esse fenômeno não acontece só com os seres humanos e outros animais. Também vemos essa relação entre as plantas. Nas florestas, as árvores mais velhas, de raízes mais profundas, vão buscar água lá em baixo no lençol freático para as mais jovens. E ali entre as raízes rola uma rede de trocas tão complexa que mal podemos compreender. É por isso que uma agrofloresta produz até 5 vezes mais alimentos por hectare do que uma monocultura. Estamos falando de integração: plantas que crescem juntas e felizes.

Agrofloresta
Foto: agroflorestadofuturo.com.br

Integramos a composteira com a cozinha, a horta com a composteira e a cisterna com a horta. Tudo interconectado. Portanto o oitavo princípio do planejamento permacultural nos reforça a idéia de interdependência e nos orienta a conectarmos tudo: animais (incluindo você e eu), plantas, sistemas. Quanto mais integração, mais abudância.

Vamos juntos ao próximo princípio?

Conheça os 12 princípios do planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.