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O que a explosão do Porto de Beirute tem a ver com nosso sistema alimentar?

No dia 04.08, uma explosão na região portuária de Beirute, capital do Líbano, fez centenas de mortos, devastou grande parte da cidade e deixou 300 mil pessoas desabrigadas. O incidente foi causado por 2.750 toneladas de nitrato de amônio estocadas na região portuária há seis anos sem medidas preventivas.

O nitrato de amônio é um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura mundial e também usado na fabricação de explosivos. Sim, o mesmo composto químico que adicionamos à produção de comida também é usado para provocar explosões e incêndios.

Um dos grandes marcos do atual sistema alimentar, baseado na produção em larga escala de commodities como milho, soja e trigo, foi o ano de 1947. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano viu a maior fábrica de nitrato de amônio do mundo para explosivos, em Muscle Shoals, Alabama, com um enorme excedente. Já se sabia que este era uma excelente fonte de nitrogênio para as plantas, então veio a ideia de espalhar o nitrato de amônio na agricultura.

Michael Pollan, em O Dilema do Onívoro, afirma que “A indústria de fertilizantes químicos (juntamente com a de pesticidas, que são baseados nos gases venenosos desenvolvidos para a guerra) é produto do esforço do governo para converter sua máquina de guerra para outros fins em tempo de paz. Como a ativista indiana Vandana Shiva diz: “Ainda estamos comendo as sobras da Segunda Guerra Mundial”.”

E qual é o problema da produção de nitrato de amônio para a agricultura?

O nitrogênio é fundamental para a produção de alimentos e para a síntese de proteínas que compõem os seres vivos. Ele está presente na atmosfera (N2), mas somos incapazes de utilizá-lo, e seu consumo ocorre através das plantas. A fixação do N2 é realizada por bactérias que vivem nas raízes das leguminosas, como feijões, ervilhas, soja e alfafa, que o transformam em moléculas necessárias à vida. Por isso, tradicionalmente, a agricultura é feita com a sábia rotatividade de cultivos, alternando a plantação de cereais com feijões, soja etc. 

Até 1908, essa era a única forma de se obter nitrogênio. Com o processo de Haber-Bosch,  passou-se a obter amônia e nitrato para uso como fertilizantes para a agricultura a partir de reações químicas de altas temperaturas e pressão. Esse processo é muito dispendioso e envolve quantidades elevadas de combustíveis fósseis. 

No modelo agrícola atual de produção de commodities, monoculturas plantadas em larga escala para servir principalmente de insumo para ração animal e ingredientes para alimentos ultraprocessados, a demanda por alta produtividade faz que fertilizantes químicos sejam amplamente empregados. 

O uso excessivo de fertilizantes industriais tem impactado nas emissões de gases de efeito estufa (pelo menos um quinto das emissões totais destes gases pode ser atribuído ao setor agrícola) e gerado uma perturbação nas concentrações naturais de nitrogênio tanto no solo quanto em ambientes aquáticos, causando eutrofização em águas continentais e marinhas costeiras. Esse fenômeno pode desencadear proliferação de algas que diminuem a concentração de oxigênio na água, criando “zonas mortas“, como a do Golfo do México, onde a vida marinha tornou-se inviável.

Além de provocar desequilíbrios nos ecossistema, esse composto pode ainda causar problemas respiratórios em seres humanos, disfunções na tireóide e câncer.

A cada catástrofe como essa de Beirute, que não foi a primeira e nem será a última, fica mais nítido que nosso atual sistema alimentar está em desequilíbrio e em desarmonia profunda com os seres vivos e o planeta.

Imagens de arquivo de operações portuárias em Santos/SP: porto recebe volume superior ao explodido em Beirute (F.Pepe Guimarães/F14 Fotografia)

Perigos futuros – Brasil

OAB Subseção de Santos oficiou autoridades sobre a segurança do transporte e armazenamento do nitrato de amônio, cuja quantidade que chega ao porto santista, a cada navio, é dez vezes maior que a de Beirute. Na visão da entidade, caso não sejam tomadas providências, pode acontecer no Porto de Santos uma destruição duas vezes pior do que a bomba que atingiu Hiroshima, em 1945.

Cabe esclarecer, como nota do SINDEX (Sindicato das Indústrias de Explosivos no Estado de São Paulo) e da ABIMEX (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais Explosivos), que “o Nitrato de Amônio não detona por si só, ou seja, para que ocorra uma detonação é necessário um conjunto de fatores, tais como, temperatura, condições incorretas de armazenagem que ocasionem confinamento e a presença de um elemento combustível. Portanto, seguidas as diretrizes de segurança vigentes, o Nitrato de Amônio é um produto químico seguro.”

Mesmo que seguidos os protocolos de segurança, a questão aqui é: precisamos mesmo de uma agricultura altamente dependente de tantos produtos químicos, fabricados a partir de combustíveis fósseis, que causam tremendo impacto ambiental e põem em risco a vida de milhares de pessoas? Nos fizeram acreditar que sim, mas isso tem mais a ver com interesses econômicos que com um real disposição de promover a segurança alimentar, já que, mesmo com todos os avanços científicos e tecnológicos da agricultura, 2 bilhões de pessoas (26,4% da população mundial) sofrem de insegurança alimentar.

É complexo, é profundo, é extremamente difícil mudar esse sistema, mas tomar consciência é o primeiro passo de qualquer transformação. Não se conformar é o segundo.

——–

//Deixo minha solidariedade ao povo do Líbano.

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7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando.

As vezes as árvores nos impedem de ver a floresta.

Sobre os padrões

Se você parar para observar com cuidado, vai perceber que a natureza está cheia de padrões. E atentando-se a eles, perceberás que linha reta é coisa rara na natureza. Perdoem-me os terraplanistas, mas nem no horizonte temos uma linha reta. Repare no desenho dos rios, das folhas, das árvores, das montanhas, sempre sinuosos, muitas vezes espiralados, ou circulares. 

Vamos tomar como exemplo o nosso famoso Rio Pinheiros, aqui em São Paulo: no seu trajeto original, nosso rio era cheio de curvas, irrigava a maior área possível e todo o seu entorno. Quanto mais longo o seu percurso, maior a área que um rio consegue hidratar.  Retificado, o rio percorre o caminho mais curto possível. Mas esse não é o desejo das águas, é o desejo dos automóveis.

Acontece que não há obra de engenharia capaz de conter os desejos d’água: durante o período mais pesado das chuvas nós teremos inundações. As águas querem área de várzea, inundar as planícies distribuindo os nutrientes que carregam, levando a vida mais longe. 

Olhando de fora, um design apropriado para o urbanismo paulistano incluiria um enorme parque linear ao longo dos nossos rios, permitindo à população gozar do contato com as águas e com o verde durante o outono, inverno e primavera e no verão, nosso parque seria inundado, como acontece todos os anos com as áreas de várzea. Um design apropriado não luta contra a natureza, a observa, compreende e propõe interações que aproveitam as suas características cíclicas, os seus padrões que, queiramos ou não, se repetirão a cada repetição do ciclo.

 

 

Parque Linear Fiat Lux. Desenho de Eduardo Pizarro

Observando os padrões no seu espaço, o que você encontra? Eles te inpiram de alguma maneira? Poderia algum deles se transformar numa intervenção no seu lugar? 

Bom trabalho de observação, até o próximo princípio de planejamento permacultural! 

Conheça os 12 princípios do planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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Observar e Interagir: relatos de uma paulistana em êxodo urbano

“Não existimos por nós mesmos. Só existimos realmente porque fazemos existirem outras coisas”,
David Lapoujade, As Existências Mínimas.

Sou paulistana, nascida e criada na capital. Meu contato com os movimentos de agrofloresta, bioconstrução e horta urbana levaram-me a estudar permacultura com o Coletivo PermaSampa. Sentia desejo de começar a mergulhar nessa outra vida, ao mesmo tempo em que a própria vida foi me conduzindo para fora da cidade. Calhou de eu ter me mudado para São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, pouco antes de estourar a pandemia. O projeto era ativar a “Casa do Arco”, o conceito de um espaço aberto para residências artísticas e vivências envolvendo agroecologia, permacultura, um agregado de experiências e práticas para pessoas que, como eu, também estão em transição. Veio, contudo, a quarentena impondo o isolamento e entendi que, antes de qualquer projeto, era preciso primeiro incubar essa minha nova vida. Assim que vou contar um pouco sobre como cheguei até aqui, pois não vejo essa mudança como uma ‘decisão’, mas como a constelação de uma série de linhas que me conduziram.

Se vale uma dica para quem agora começa a pensar em fazer a transição para o campo, eu diria que a primeira coisa é introduzir algumas mudanças de hábitos antes mesmo de sair da cidade: adotar a compostagem, começar uma pequena hortinha, observar sua produção de resíduos, estudar o impacto ambiental de seu modo de consumo. Considerar que você pode descobrir uma enorme redução de seus gastos vivendo num ambiente onde poder dormir ouvindo o som do rio, colher seu alimento ou sentir a respiração das montanhas era tudo o que você precisava para sentir-se preenchidx. E que, pelo fato se sentir privadx dessas coisas na cidade, acabava tendo que ir a restaurantes, bares, lojas ou assinar NetFlix. Vivo essa coisa linda de roça que são os presentes dos vizinhos. Ganho caldo de cana, mandioca, limões, abacates, mudas, hortaliças, bananas… Pego leite da vaquinha do meu vizinho para produzir meu kefir. Compro queijo de cabra de uma criadora a 2km daqui. Trocamos coisas, formando vínculos, partilhamos da comunidade. 

Quando ainda não se sabe para onde ir tampouco qual é o projeto, é importante permitir-se ficar um pouco à deriva. “Perder-se também é caminho”, dizia Clarice Lispector. Circular por aí, visitando cidades, fazendas, sítios, plantações. Participar de mutirões nesses lugares, ir pondo o pé nesse chão para sentir os diversos tipos de contextos. Fazer-se algumas perguntas preliminares: em que clima me vejo vivendo? Gosto de baixa ou alta umidade? Desejo estar no alto das montanhas, num vale ou numa planície? Plantar para minha subsistência ou adquirir terras para um plantio comercial? Não saberemos responder a essas perguntas de pronto, mas elas precisam ser formuladas a fim de orientar nosso espírito para ir ao encontro do lugar, afinal um novo projeto de vida não se organiza sem algumas bússolas. Por isso gosto do que estou fazendo: aluguei uma casa em meio à comunidade local com um jardim gostoso que me permite ensaiar e esboçar essa transformação das narrativas. Vivo só e aqui me sinto segura com vizinhos mais ou menos visíveis desde a minha casa. Porque são tantas as demandas de nosso espírito e tantas as coisas que ainda não sabemos sobre nós mesmos, que nem sempre é possível ter tudo traçado de antemão. Pode acontecer de as metas iniciais se revelarem apenas metáforas, que sem dúvida foram necessárias para nos impulsionar numa direção.

Os sinais de que era aqui o meu destino foram tão claros que não houve como não deixar o rio me levar. Enquanto muitas pessoas passam mal na estrada sinuosa que liga São José dos Campos a SFX, eu por minha vez vivi momentos memoráveis de profundos insights a caminho daqui. Então, amar a estrada que me trazia para cá e sempre agradecer às montanhas por terem me permitido retornar era meu ritual de chegada. Desde sempre soube que vinha para viver uma metamorfose. Aliás, na minha opinião, não estamos aqui para ‘encontrar a felicidade’, mas sim para aprender a dançar com a vida. E, se  isso decorre em felicidade, é porque creio firmemente na ideia de que só há verdadeira realização de si quando reconquistamos o amor pelas ações mais fundamentais do viver em consonância com o ecossistema. 

Nesse sentido, as ferramentas, as técnicas e os conceitos de que fazemos uso para aprender um modo mais abundante, ético e sustentável de existir ganham um estatuto mágico. São os ‘instrumentos de poder’ que pavimentam os caminhos de cura – nossa e da Terra. Tenho refletido muito sobre o sentido mais profundo – e pouco glamuroso – da palavra ‘regenerar’. É sobre depararmo-nos com hábitos, comportamentos e perspectivas que, não obstante todo o repertório de conhecimentos que possamos ter adquirido, não conseguimos transformar num workshop ou curso de formação. E a pandemia veio me fazer parar tudo pra praticar o primeiro princípio que aprendemos em Permacultura: observar e interagir. Significa dar-se o tempo necessário para ser afetado e modificado inteiramente pela paisagem. Desde que vivo aqui, venho aprendendo que ‘observar e interagir’ é um processo febril e intenso. Todos os dias são beija-flores, aranhas, ventos, cachorros, gatos e seres invisíveis que entram e saem pelas minhas portas e janelas impondo-me o desafio de me relacionar com essas presenças, pois de fato é preciso morrer para renascer em Gaya. 

Minha estratégia (e isso é inteiramente pessoal) foi adotar a preguiça como método. Montei meus canteiros usando palhada da braquiária roçada de um querido meu vizinho. Arrumei um fornecedor de esterco. Desço de vez em quando até a floresta pra encher sacos de coisas caídas no chão para cobrir e nutrir a horta. Fico circulando os restos da cozinha por diferentes setores do jardim, pois uma vez completado o processo de compostagem tem-se já um canto adubado para o plantio (além das próprias mudas que brotam dali). Vou preguiçosamente abrindo minhas nadadeiras nessa nova atmosfera, procurando atuar menos e escutar mais. Tenho sentido os ventos e o canto dos pássaros com uma intensidade por vezes até incômoda. É que tanta beleza me exige novas competências de absorção e então me dou conta de que havia passado a vida inteira a me privar de tudo isso apenas para hoje poder me sentir constantemente arrebatada. Embora isso soe poético, não é pouca coisa para o corpo assimilar. Portanto, ações pequenas e lentas.

E me parece que se essa não for a tarefa inicial, se não for aprender o idioma das águas e das árvores, familiarizarmo-nos com as micro e macrobiotas, a multiplicidade das presenças até de fato começar a nos sentir parte dessa ciranda, então não vejo como poderemos prosseguir enquanto humanidade. A transição que nos é pedida não se resume a montar uma composteira, uma agrofloresta ou um banheiro ecológico: por trás de tudo isso, o que estamos preparando é um salto em direção a uma nova ontologia. E o projeto de descolonização de si precisa começar a germinar na cidade. Minha amiga Tânia Campos, idealizadora da Casa.Planta, adota práticas permaculturais em sua casa na Vila Madalena e propõe-nos uma pergunta-provocação: “O que pode uma casa?”. É com esse tipo de pergunta que vamos nos endereçando para fora da vida urbana, pois o que queremos é restaurar os saberes ancestrais e reencantar as tarefas simples da vida. Devolver a alma ao mundo e imantar os gestos mais triviais… acordar ao amanhecer, cuidar das plantas, alimentar-se, amar, produzir coisas bonitas, contemplar as belezas, as mudanças na paisagem, partilhar o convívio, descansar. É para isso que estamos aqui! 

Da Vinci dizia que o amor nasce do profundo conhecimento que cultivamos do objeto amado. Quero acreditar que a missão do Covid, como já foi dito tantas vezes, é nos despertar do estado de anestesiamento em que temos vivido como coletividade humana, para nos empurrar em direção a um modo de existir mais fecundo e vital. Vivendo há menos de um ano longe das cidades e perto do rio, venho me curando de minhas atrofias e fragilidades à medida em que descubro novas forças e capacidades nos novos fazeres que se apresentam nesse ambiente. Nada é tão compensador e curativo quanto testemunhar a semente que suas mãos plantaram e adubaram desde seu germinar até a colheita de seus frutos, flores ou folhas. Acompanhar e aprender sobre os ciclos, tornar-se parte deles, dançar com a existência. De modo que estou diariamente me versando nos modos e desígnios da floresta a fim de que ela um dia me torne uma melhor designer de mim-no-mundo. Futuramente, comprar um sítio e iniciar uma plantação de chá e ervas para infusão. Sigo por enquanto nesse devir-borboleta… constelando as composições, aceitando os riscos, maravilhando-me com os embriões de vida, esboçando alguns vôos e sentindo profunda alegria. Sinto não ter coisas mais objetivas a dizer, mas nesse momento tudo o que sou é travessia.

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6º – Não produza desperdícios

A minhoca no ícone do sexto princípio de design em permacultura já diz muito: ela representa a compostagem.

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências. Vou dar e exemplo clássico do limão:

Seu sumo vira suco, tempero para a salada. A casca, vai virar produto de limpeza, enzima cítrica. Três meses depois, já devidamente fermentada e pronta a enzima, o bagaço vai para a leira de compostagem. Mais três meses depois, o adubo vai para o solo para produzir mais alimentos. Fechamos um ciclo e geramos zero desperdício.

No caso da bananeira, o coração vai pra panela, as frutas a gente come, as cascas também viram bolo, o “tronco” vai virar cobertura de solo para a horta e as folhas serão usadas para envolver alimentos no forno. A planta todinha pode ser utilizada se a gente quiser. E digo mais:

Todos os nutrientes que o seu corpo não absorveu dessa bananada toda que você comeu e que mandou descarga abaixo também podem ser saneados ecologicamente usando um vermifiltro por exemplo e o adubo fruto desse processo pode ser encaminhado para um círculo de bananeiras, fechando outro ciclo!

Fazer reúso da água da máquina de lavar é fácil e te ajuda a economizar mais de 60 litros a cada lavagem. A água da pia pode ser recolhida na bacia ou então pode receber um sistema de tratamento de águas cinzas, podendo ser reutilizada na rega das suas hortaliças, para a lavagem de piso ou na descarga, se você quiser.

A bicicleta velha que está enferrujando pode receber uma linda atenção, uma lubrificação, troca de cabos e regulagem e pimba, voltar a rodar! O velho par de tênis está bonzinho por cima, mas com um buraco na sola? Sapateiro resolve, novo de novo.

#reusar #reciclar #compostar são palavras chave do sexto princípio do planejamento permacultural.

Conheça os 12 princípios do planejamento permacultural:

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1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

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3º – obtenha rendimento

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7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

Uma das maiores alegrias no planejamento permacultural é quando conseguimos transformar nossos os problemas em soluções. Um exemplo clássico é o do nosso cocô: recurso renovável e abundante, quando vai para o rio é poluição, mas quando vai para um biodigestor é transformado em biofertilizante e biogás! Veja que maravilha, produzindo biogás em casa, deixamos de consumir o gás proveniente da exploração do petróleo. E graças ao fertilizante líquido que também é produto da biodigestão, nos livramos dos adubos industrializados.

Nosso amigo Fábio Miranda nos mostra que fazer biodigestão não é tão complicado assim e que é possível se produzir biogás também nos centros urbanos, inclusive utilizando materiais reciclados, como ele faz na sua casa, numa das comunidades mais densas de São Paulo, o Jardim Nakamura.

Portanto para quem faz permacultura na cidade, madeiras e tubos de PVC encontrados em caçambas, garrafas PET, bombonas de transporte de alimentos e demais recursos vistos por alguns como “lixo”, podem ser encarados sim como recursos renováveis, uma vez que não paramos de produzí-los.

Fábio Miranda e seu Biodigestor no Instituto Favela da Paz

Tá, você não produz gás suficiente para a sua cocção diária? Que tal utilizar um forno solar, como nos ensina o mestre Edison Urbano? Já que falamos em energia do sol, podemos aproveitá-la não só para cozinhar, mas para aquecer a água do nosso banho e gerar energia elétrica, através dos sistemas fotovoltáicos.

Bioconstruir a sua casa com recursos locais também é uma ótima maneira de evitar os recursos não renováveis. Vai cavar um açude? Opa, temos terra para erguermos uma bela casa! Tem uma touceira de bambu gigante aí pertinho? Ta aí uma bela opção de material para a estrutra da sua casa.

A permacultora Julhiana Costal do Arboreser dá belos exemplos de como usar a energia renovável no dia-a-dia. Escute-a:

Conheça os 12 princípios do planejamento permacultural:

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O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

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Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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Entenda o que é um Vermifiltro e como as minhocas podem nos ajudar a resolver o problema do saneamento básico no Brasil.

Esquema de um Vermifiltro Fonte Tonetti et al 2018

O vermifiltro (ou filtro biolítico) é um sistema de saneamento super simples que funciona basicamente como um minhocário que recebe as águas da privada da casa. Conforme você pode ver no desenho feito pelo pesquisador da UNICAMP Adriano Tonetti, a descarga da água da privada entra por cima no filtro, onde moram as minhocas. Os resíduos sólidos, ou seja, o cocô, vai virar janta de minhocas. Os líquidos vão escorrer pelo sistema que possui camadas de palha ou serragem e pedras antes de sair por um “ralo” no fundo.

A idéia parece estranha numa primeira leitura mas acreditem, esse filtro atua como 3 sistemas de tratamento integrados em um só:

  1. ele remove sólidos (cocô) cumprindo a função da fossa séptica
  2. diminui a cor e turbidez das águas atuando como um filtro
  3. o xixi das minhocas mata as bactérias da água, atuando como um desinfectante

Bom, bonito e barato.

O mais incrível é que um sistema desses pode ser construído fazendo reúso de uma bombona de transporte de alimento (como as que utilizamos para fazer as famosas minicisternas), mais umas poucas peças de tubulação de esgoto, ou seja, é um sistema de saneamento de esgoto super acessível e simples, podendo portanto ser replicável em diversas comunidades mundão adentro. No Chile por exemplo, a tecnologia já é super replicada e começou a ser utilizada na descentralização do tratamento do esgoto desde 1998.

Manejo periódico

Obviamente nem tudo são flores, principalmente quando falamos de esgoto: o sistema requer manejo a cada aproximadamente 6 meses. Se poucas pessoas utilizarem o sistema e ele for bem dimensionado, o manejo pode ser anual. Simples, o manejo consiste em adicionar nova palha ao sistema. É isso mesmo, não é necessário remover o humus (cocô das minhocas) de dentro do vermifiltro. A água da descarga derrete esse humus que sai do sistema como efluente líquido.

Água sanitária ou desinfectantes químicos? hmmmm…

Outro ponto importante ao qual é importante nos atentarmos é que a partir do momento em que temos minhocas no nosso sistema de tratamento de esgoto, não podemos mais usar água sanitária e demais produtos industrializados na limpeza do nosso vaso sanitário. Ou seja, o usuário desse sistema precisa aderir a uma mudança de hábitos e passar a utilizar produtos naturais para faxinar o seu banheiro. Esses produtos podem ser feitos em casa através da fermentação da casca de frutas cítricas que sobraram da cozinha como ensina a receita da enzima do lixo.

Veja como foi a instalação de um dos 15 vermifiltros instalados em São Francisco Xavier pelo projeto Protegendo as Águas, orientados pela Fluxus.

É preciso separar as águas.

Outro detalhe para nos atentarmos é o fato desse filtro receber exclusivamente a água das descargas. Ou seja, caso o esgoto da sua casa esteja todo unificado – águas do banho, cozinha, lavanderia e do vaso sanitário juntas – será necessário primeiro separá-las antes de implementar o sistema para o tratamento do seu esgoto. Lembrando que para cada qualidade de águas usadas em casa existe um tratamento específico que pode ser adotado a fim de conseguirmos reutilizá-las dentro de casa ou infiltrá-las no solo, no seu belo pomar,  por exemplo…

Fatores limitantes.

Se por acaso o lençol freático do seu terreno for bem alto, tipo cavou achou água, então o vermifiltro não é uma tecnologia indicada para a sua situação. Se o nível do lençol tiver mais de um metro e meio de profundidade então está tudo certo!

Uma última coisa importante para nos atentarmos é que para o sistema funcionar da forma mais simples, precisamos que o terreno possua um desnível, uma vez que o líquido sai por baixo do reservatório. Se o terreno for plano é necessária a utilização de uma bomba, o que deixa o sistema um pouco mais complexo e pode ser, em alguns casos, um fator limitante à sua utilização. A situação ideal para o uso dessa tecnologia requer um quintal com declividade, muito mais fácil portanto de ser replicável em zonas rurais.

Caso você precise de informações técnicas sobre o assunto, dê uma olhada na revista DAE no. 220 a partir da página 128. Bons estudos!

Como fazer um vermifiltro?

Ah sim, se você é da mão na massa e quer aprender a fazer o seu próprio sistema, a nossa amiga Karin Hanzi do Epicentro Dalva ensina o passo a passo de como construir um vermifiltro no vídeo aqui abaixo. Divirta-se!

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4º – Pratique a autorregulação e aceite conselhos (feedbacks)

O quarto princípio do planejamento permacultural nos faz um convite: ouçamos as respostas das nossas ações. Quando chuvas intensas e devastadoras passam a ser comuns na “terra da garoa”, a natureza está nos dando um recado. O super adensamento urbano e a devastação das florestas geram efeitos colaterais. Quando somos capazes de ler as respostas naturais, estamos prontos para modificar nossa forma de atuar no território para corrigir algum determinado desequilíbrio ou intensificar alguma ação que ao longo do tempo vem se mostrando benéfica para nós e para o meio ambiente.

Mesmo tendo observado com atenção o ambiente antes de começarmos a agir, todo planejamento possuirá fragilidades que só vão se revelar ao longo do tempo. É portanto fundamental estarmos abertos e dispostos a mudar os nossos planos a partir do retorno que o tempo nos oferece.

Quanto maior a biodiversidade, maior a dinâmica da vida no lugar, mais fácil se dará a auto-regulação.

A natureza não dá só feedbacks negativos. Quando determinadas espécies crescem lindas e maravilhosas, fortes, sadias, com frutos vistosos e saborosos você está recebendo um feedback positivo. A espécie gostou do local, da humidade, da insolação, das características do solo, das plantas companheiras, enfim, esse aprendizado servirá para plantios futuros.

Você já sabe: a taioba adora ficar por perto das bananeiras. O milho, o feijão e a abóbora formam um trio ultra poderoso. Foi através da observação do sucesso entre interação dessas espécies que chegamos a esses saberes que os agricultores vem sistematizando ao longo do tempo e hoje, graças a essa observação dos feedbacks que a natureza nos dá, existem vários consórcios de plantas conhecidos, que podem ser replicados mundão afora. Conhecimento adquirido através da observação e da leitura das respostas da natureza.

Ouçamos o que tem a dizer Julhiana Costal do Arboreser:

Conheça os 12 princípios do planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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3º – obtenha rendimento

Horta em mandala do acampamento Marielle Vive. Plantas de ciclo rápido geram rendimento em até 2 meses. Foto: MST.

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro? Essa é sem dúvida uma forma de rendimento. Mas podemos ampliar o sentido da palavra, como veremos à seguir.

Entendemos por rendimento todos os recursos gerados no local que possam suprir as necessidades dos seus habitantes. Para quem vive na zona rural, o dinheiro pode não ser tão importante quanto para quem vive na cidade. Uma galinha, alguns kilos de batata doce ou manivas daquela mandioca maravilhosa podem ser excelentes moedas de troca com os seus vizinhos.

 “desenhar sistemas e organizar nossas vidas de modo a obtermos rendimento através de meios que otimizem a potência de trabalho útil de tudo o que fazemos”

Neste princípio “obtenha rendimento” Holmgren nos convida a incluirmos no nosso planejamento, além de investimentos de longo prazo como o plantio de árvores que poderão ser colhidas daqui a 7 anos, ações que nos gerem um retorno rápido.

Produza comida, madeira, água, adubo, energia elétrica, aproveite portanto a energia do seu trabalho para produzir recursos capazes de atender as suas e as demandas dos demais seres vivos que compartilham a morada contigo e que dependem do seu esforço ou obtem melhor qualidade de vida a partir do seu planejamento.

Ouça a Julhiana Costal, falando do seu jardim na Zona Norte de São Paulo sobre como obter rendimento a curto prazo na realidade urbana.

Conheça os 12 princípios do planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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2º – Capte e armazene energia

Na Alemanha, essa casa aproveita o telhado para produzir energia elétrica, aquecer as águas e iluminar seu porão. Foto fonte: GreenMatch.co.uk

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante todo o verão na região sudeste do Brasil desaparece durante o período do inverno. Depois de observar e compreender este fenômeno, o planejador provavelmente desenhará uma cisterna para a captação da água da chuva.

Uma vez captada e armazenada numa cisterna, a água da chuva, antes acessível somente durante o período de chuvas, passa agora a estar disponível para o uso durante o período de secas (quando devidamente dimensionada, claro). A permacultura pretende portanto estimular a produção de energia in loco, em pequena escala, tornando menos necessária a nossa dependência da produção industrial de energia, que gera impactos imensos ao meio ambiente.

Através da sua intervenção, o permacultor transforma recursos acessíveis em recursos disponíveis.

No jardim agroecológico da permacultora Andrea Pesek, a cisterna de 3 mil litros a permite ter acesso à água para a rega durante quase todos os meses de estiagem. Quando a cisterna seca, ela passa a utilizar para a rega a água do lago de chuva, proporcionando autonomia hídrica durante o ano todo. Perceba, a casa possui mais de uma forma de armazenamento para o recurso água de chuva, a cisterna e o lago. E o planejamento permacultural da casa dela não pára por aí: as águas cinzas produzidas na cozinha alimentam um círculo de bananeiras que armazena as águas nas plantas e transforma essa energia também em frutos.

Este mesmo princípio se aplica a todos os recursos acessíveis no local. Tomemos agora como exemplo a energia solar: através da implementação de um sistema fotovoltáico, é possível armazenar a energia do sol na forma de energia elétrica. Já através de um sistema de aquecimento, é possível armazenar essa energia em forma de calor, água aquecida.

O permacultor Edison Urbano ensina no seu site Sempre Sustentável uma série de técnicas para a captação e armazenamento de energia, todas de baixo custo, usando na maioria das vezes como matéria prima bombonas, garrafas PET e outros materiais reutilizados. Confira e tenha boas idéias para o seu planejamento permacultural!

Outros pontos de vista

A permacultora Julhiana Costal traz para a pauta o beneficiamento de alimentos. Através da produção de chucrutes ou outros fermentados, é possível se estocar energia em forma de conservas, possibilitando extender o seu consumo por um período prolongado. Confira essa e outras idéias no vídeo:

Conheça os outros 12 princípios de planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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1º – Observe e interaja

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

Antes de arregaçar as mangas, pegar a enxada e sair arrepiando o terreno, pare e observe o ambiente com o qual pretende interagir. Quando conhecemos o espaço, o bioma, o clima de um lugar, estamos prontos para tomar a primeira atitude que a permacultura nos ensina: planejar. Quem procurou por cursos de permacultura encontrou os populares PDCs. A sigla em inglês resume Permaculture Design Course. Em português quer dizer Curso de Desenho (ou Planejamento) Permacultural.

Não é à toa que o primeiro princípio do planejamento seja a observação. É impossível se realizar um bom planejamento permacultural sem antes conhecer muitíssimo bem a dinâmica natural, os ciclos do lugar. Qual o clima do seu espaço? Faz frio o ano todo? Será então que aquela mangueira que você ganhou do seu amigo vai bem por aí? Aquele seu desejo de plantar palmito, aí no alto das montanhas, será uma boa ideia? Quais as plantas mais comuns por aí, você já as conhece? E os pássaros? Qual o regime de chuvas da região? As nascentes diminuem muito no período de estiagem? Será inteligente pensar em cavar açudes? Essas e muitas outras respostas surgem da observação. Os designers mais experientes dizem que é importante observar um local por pelo menos um ano antes de iniciar o planejamento, ou seja, ter vivido pelo menos uma vez cada uma das 4 estações.

Princípio aplicado a uma residência na cidade

Já no meio urbano, tomemos como exemplo uma família que acaba de se mudar para uma casa e pretende fazer uma horta no pequeno quintal: com muros por todos os lados e sombreada também pela enorme casa de dois andares, o frio quintal recebe pouco tempo de sol. Mudaram-se no verão e percebem que o corredor lateral é o local com maior incidência solar. Quebram o piso de concreto de toda a lateral da casa, plantam de tudo na época de chuvas e tem uma primeira colheita satisfatória. Alguns meses depois surge o primeiro problema: o sol do inverno não chega até o chão e todas as plantas se entristecem. Mas as paredes do muro ainda recebem sol, aparentemente o ano todo. Será que um sistema de hidroponia não seria mais apropriado para a produção de alimentos nesse corredor? Ou será que a laje da garagem (onde eles nunca subiram para observar) não seria o local mais apropriado para se produzir alimentos nessa casa?

Outra possibilidade para quem vive nos centros urbanos são as praças públicas, os linhões das concessionárias de energia e de água, ou até terrenos baldios abandonados. Existem diversas possibilidades “marginais” aguardando a intervenção de pequenos grupos de vizinhos interessados em se reconectar com a terra. Observando o seu bairro, você descobrirá outras possibilidades de locais e também grupos de pessoas às quais associar-se pode ser uma boa pedida. Mais uma vez, observemos.

Princípio aplicado ao urbanismo

 

Quantas São Paulos vemos nessa foto? Observar requer a escuta de diversos pontos de vista para o planejamento em situações de super adensamento populacional.

O recurso natural mais abundante numa cidade grande é o recurso humano, as pessoas. Portanto “observar” neste meio significa não somente olhar para a movimentação social, mas ouvir as pessoas e entender através da escuta as suas necessidades, crenças, hábitos culturais para a partir de então pensar num planejamento para este grupo, neste local específico.

Cada comunidade possui características geográficas, políticas, sociais e culturais específicas e por esse motivo a observação caso a caso se faz imprescindível. Um bairro habitado por uma população com grande concentração de renda possui características específicas. A poucos metros dali, quiçá distanciados pela presença de um muro, temos outra população com renda e hábitos culturais muito diferentes. Se faz super necessária a observação de ambos os lados para poder se delinear um projeto de design capaz de integrar ao invés de segregar as pessoas. Certamente as bordas, no caso esse muro, seria um elemento importantíssimo no nosso planejamento.

Outros pontos de vista

Ouçamos agora a experiente Julhiana Costal, integrante do coletivo Arboreser, que há muitos anos pratica a permacultura urbana e produz alimentos na sua casa na Zona Norte de São Paulo.

Conheça os outros princípios do planejamento permacultural

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.