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Enzima do Lixo

Entenda o que é “enzima do lixo” e como os restos de alimento da sua cozinha podem se transformar em produtos de limpeza eficientes e saudáveis para quem faz, para quem usa e para os rios da sua cidade.

https://www.youtube.com/watch?v=4MD4Pg6jM9M

Imagine transformar as cascas de frutas e restos de hortaliças da sua cozinha num produto de limpeza ecológico, capaz não só de colaborar com a limpeza da sua casa mas também com a despoluição dos rios. Isso existe? Sim. Com vocês, a enzima do lixo!

Desenvolvida na Tailândia pela doutora Rosukon Poompanvong, a “Garbage Enzyme” ou enzima do lixo é resultado de mais de 30 anos de pesquisa e, segundo a sua criadora, a enzima é a ferramenta mais acessível para que as pessoas comuns possam colaborar com a redução do aquecimento global. Reconhecida em 2003 pelos seus incríveis resultados na agricultura orgânica pelo Gabinete Regional da Tailândia, Bangcoc, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a Dra Rosukon e seus discípulos difundem a enzima pelo mundo afora.

Resumindo a conversa, a enzima do lixo é uma solução orgânica produzida através da fermentação de hortaliças frescas e/ou resíduos de cascas de frutas, açúcar mascavo e água. Sua criadora, a Dra. Rosukon, diz que a fermentação cria cadeias naturais de proteínas, sais minerais e enzimas. Ela explica que o processo catalítico durante a produção da enzima do lixo gera gás ozônio, O3, que reduz o dióxido de carbono na atmosfera e metais pesados nas nuvens que aprisionam o calor, o que mitiga o aquecimento global. 

Para que serve a enzima do lixo?

Usos domésticos:

Em casa, a enzima do lixo pode ser usada para: lavar louça, lavar o chão, o vaso sanitário, para lavar roupas e atualmente o autor deste texto as está testando como condicionador de cabelo (substituindo o vinagre).

Uso na agricultura:

Diluído numa proporção de 1 para 1000, a enzima do lixo pode enriquecer o solo e ajudar a deixar a sua horta adubada e feliz.

Enzima Cítrica: qual a diferença?

Adaptação brasuca da enzima do lixo, a enzima cítrica foi a solução encontrada pela permacultora Claudia Visoni para dar fins as cascas de frutas cítricas que não podem ir para o minhocário.

“Cascas de laranja e limão não vão bem em minhocário e nem em composteira de podas de jardim, se forem numerosas. Procurando o que fazer com esse resíduo aprendi num curso de permacultura a enzima, que adaptei para apenas os cítricos. O restante dos restos de vegetais da cozinha composto”.

As enzimas produzidas exclusivamente com o uso de cascas de cítricos tem, além do poder enzimático, o poder de solver a gordura de um componente especial presente nas suas cascas: o terpeno. Super eficiente, é utilizado inclusive pela indústria dos produtos de limpeza como a Krest que faz diversos produtos como desinfectante multiuso, limpa vidros, limpa estofados, limpa Inox e alumínio, e até um limpa pichação, usado pela concessionária CCR na limpeza de placas de sinalização da Via Dutra.

A escritora Neide Rigo também usa o terpeno das cascas da laranja que saem da sua cozinha para fazer seu desengordurante caseiro. Ela simplesmente bate as cascas com água no liquidificador, coa e voala, temos um produto de limpeza ecológico instantâneo. No seu blog ela diz:

Peguei um pano seco, umedeci com a solução e passei. Esfreguei só um pouco e a gordura se dissolveu.  Aí me empolguei e comecei a limpar fogão, lavar tuperwere engordurado, lavar toda a louça. Incrível!

A agricultora e chefe de cozinha Thais Ferreira, da Roça Diadorim, também produz as suas enzimas cítricas com os restos de cozinha que não vão para o minhocário e para dar um cheirinho especial, ela inclui folhas de citronela, lavanda, alecrim, cravo e canela durante o processo de fermentação, garantindo um cheiro super gostoso e calmante para os seus produtos de limpeza que também atuam como repelente.

Receita: Como fazer enzima do lixo?

Muito simples. Separe 3 partes de restos de cozinha (cascas de frutas e/ou hortaliças), uma parte de açúcar mascavo e 10 partes de água. Misture tudo e deixe fermentar durante 3 meses.

Durante o primeiro mês, você vai precisar abrir a garrafa todos os dias e sentirá cheiro de álcool, liberado na fermentação. No segundo mês, você deve sentir um cheiro ácido, proveniente do ácido acético. No terceiro mês você quase não notará a produção de gases. Neste período os compostos minerais e vitaminas continuarão se quebrando até a constituição da enzima.

Se fizer somente com cascas de cítricos obterá enzima cítrica, super cheirosa. Se fizer com cascas de outras frutas e também somar hortaliças à sua fermentação, obterá a enzima do lixo, que não tem um cheiro tão gostosinho como a cítrica mas, por possuir uma diversidade maior de alimentos para as enzimas durante a fermentação, consegue ser ainda mais poderosa do que a sua irmã cheirosinha.

Validade: as enzimas do lixo ou as cítricas tem validade indeterminada. Depois de prontas, podem ser armazenadas por 10, 20 anos. Quanto mais tempo em fermentação, mais eficiente se torna a enzima. Nos primeiros meses ela se alimenta dos alimentos mais simples. Com o passar do tempo restam somente partículas menores e mais complexas, fazendo com que a enzima precise aprender a quebrá-las tornando-se portanto mais eficiente a cada dia.

Enzimas cítricas em estágio de fermentação.
Enzimas cítricas em estágio de fermentação.

Importante: faça a sua enzima numa garrafa de plástico. Durante as primeiras semanas de fermentação a produção de gás é muito intensa e, caso você se esqueça de abrí-la sua garrafa pode estourar!

Quer saber mais sobre a enzima do lixo?
Confira os posts de referência abaixo:

http://conectarcomunicacao.com.br/blog/148-meus-produtos-de-limpeza/

Se você fala inglês, umas boas referências nos links abaixo:

http://www.enzymesos.com/what-is-eco-enzyme/how-to-use-eco-enzyme

 

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Manejo de lagoas urbanas: Praça Victor Civita

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No mês de novembro de 2018 o coletivo Permacultores Urbanos foi contratado para o manejo da lagoa da Praça Victor Civita. Para cumprir a tarefa foram convocados 3 integrantes: Andrea Pesek, Vinicius Pereira e Léo Tannous. Fizeram uma bela poda paisagística na lagoa, contendo o excesso de plantas aquáticas e oferecendo espelho d’água para a luz do sol. Toda a biomassa proveniente da poda foi utilizada na cobertura dos canteiros da horta da praça, pelos amigos do coletivo Pé de Feijão. Foram introduzidas também novas espécies aquáticas como o “pinheirinho d’água”, a “alface d’água” e o papiros gigante. Foram também manejadas algumas espécies encontradas na própria praça, que agora também fazem parte da flora da lagoa. A lagoa da Praça Victor Civita é o último estágio do sistema de saneamento ecológico do edifício, ou seja, todo o esgoto do prédio é tratado de forma responsável e neste último estágio a água já se encontra cristalina, sem cheiro e precisa receber então a luz do sol, para que os raios UV ajudem a terminar de eliminar os patógenos presentes na água tratada. Os peixes, as plantas e toda a biodiversidade, assim como os contratantes, ficaram felizes. Felizes também estamos nós com mais uma lagoa manejada com amor e carinho pelos Permacultores Urbanos. Confira o vídeo!

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HHO: a tecnologia da transição entre os motores à combustão e os elétricos

 

O futuro começa com H

“Ele tem um currículo de dar inveja. Mais de 90% de toda a matéria que vemos no universo é hidrogênio. Ele é fundamental para a vida: compõe a água e quase toda matéria orgânica, além de ser a fonte de energia do Sol, que funde 600 milhões de toneladas desse gás por segundo. Mais de 90% de todos os átomos existentes no universo são de hidrogênio. Ele também inspirou muitas das pesquisas mais importantes do último século – foi pesquisando o hidrogênio que os cientistas descobriram desde a origem do universo até os elementos que compõem os átomos. Ele também abastece as naves que levam o homem ao espaço (e às vezes as transforma em uma enorme bola de fogo).

Já é bastante, mas espera-se dele ainda mais. A humanidade depende do hidrogênio para, daqui a no máximo 50 anos, mover indústrias, carros e aviões. Ele pode ser extraido da água a um custo irrisório e gerar energia.”

Disse Rafael Kenski na matéria “O futuro começa com H” da revista Super Interessante

Na matéria citada acima o autor fala sobre os carros elétricos, que contam com hidrogênio como fonte de combustível. Já existem dezenas de modelos desenvolvidos pela indústria automobilística rodando pelas estradas do Japão, Estados Unidos, em vários países da Europa e inclusive no Brasil. São os carros do futuro, silenciosos, não poluentes e muito mais eficientes que os modelos à combustão atuais.

HHO: a tecnologia da transição

Segundo a mestre em engenharia Samara Pineschi, autora da primeira tese de mestrado sobre o HHO no Brasil (UFMG, 2013), a nossa frota atual, poluidora e consumidora de combustíveis não renováveis, pode se adaptar numa frota limpa, muito mais eficiente energeticamente e sensivelmente menos poluente.

Para realizar tal façanha, a pesquisadora diz que os geradores de HHO (gás rico em hidrogênio), que fazem a eletrólise da água dentro do automóvel serão a tecnologia da transição entre a frota poluidora atual e a nova frota verde de motores elétricos movidos a hidrogênio puro.

Entenda como funciona um kit gerador de hidrogênio.

Atualmente no Brasil e no mundo vários grupos de pesquisadores interdependentes compartilham seus conhecimentos e constróem, de forma colaborativa, soluções para a conversão da frota atual, a exemplo do grupo brasileiro HHO Experts.

Com boa vontade política e investimentos públicos e privados, poderemos potencializar as pesquisas e desenvolvimento tecnológico afim de tornarmos viável essa transição.

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Como funciona um kit de hidrogênio veicular?

O uso do hidrogênio em motores à combustão como o dos nossos carros, motos, ônibus, navios e aviões não é novidade.

A primeira patente de um motor movido à hidrogênio data de 1918, registrada nos Estados Unidos por Charles H. Frazer. De lá pra cá, centenas de pesquisadores investiram horas desenvolvendo tecnologias usando hidrogênio como combustível e, na sua maioria, tiveram seus projetos silenciados pela indústria do petróleo.

No Brasil, o mestre Nicanor de Azevedo Maia, professor da Universidade Federal do Rio Grandedo Norte lançou em 1973 um manual para “Obtenção e emprego do hidrogênio em motores”. No auge da ditadura militar seu laboratório foi desmontado, todos os seus inventos roubados e sua história, arquivada.

Hoje em dia, com a difusão da internet, é possível encontrar com facilidade o esquema de montagem de um reator de hidrogênio para uso veicular e até mesmo comprar kits prontos no Mercado Livre.

Polêmicos, os kits de hidrogênio geram muitas controvérsias e discussões nas redes sociais. Grande parte dos compradores de kits ficam insatisfeitos com a compra e relatam conseguir pouquíssima ou nenhuma economia do combustível original do carro. Isso acontece porque existem vários fatores determinantes para que o HHO funcione corretamente num veículo, como veremos mais adiante.

Como funciona um kit HHO?

O conceito do kit de HHO veicular é muito simples. Num reservatório de água colocamos água com eletrólito, que por gravidade desce até o reator, que recebe uma descarga elétrica com energia proveniente da bateria do carro, separando as moléculas do H2O em HHO.

Esse gás HHO, é rico em hidrogênio e oxigênio e é conduzido por uma mangueira até a entrada de ar do motor, até explodir junto com a gasolina, servindo como um catalizador da queima, aumentando a eficiência do motor e gerando economia de combustível e redução da emissão de poluentes.

Na média, um kit de HHO instalado de forma correta propicia a economia de 30% de combustível, seja ele gasolina, diesel, etanol ou GNV. Porém há pesquisadores que conseguem mover motores 100% à HHO, como é o caso do paulista Ricardo Azevedo, que faz sua moto NX 200 rodar somente com gás HHO.

Aprenda como instalar de um kit de HHO no seu carro.

Confira 5 dicas importantes para fazer seu kit de hidrogênio funcionar.

Com a palavra, um mestre em HHO

Assista o que diz o mestre em engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Denício Coelho, autor da tese “gás produto de eletrólise utilizado em motores de combustão interna”.

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Fogão Pluvio Solar

Fogão Pluvio Solar

A idéia do sistema nasceu quando o gerador de hidrogênio que utilizamos no projeto “carro movido a água”  apresentou um defeito e foi removido da nossa kombi Zeolina para manutenção. Quando viu o gerador de hidrogênio ao lado de sua placa fotovoltáica, o permacultor Vinicius Pereira teve a idéia:

A água da chuva captada na cisterna (já cai destilada do céu e é altamente condutiva), somada a energia elétrica produzida com a luz do sol resultam em produção de hidrogênio, que pode ser usado para a queima num fogão convencional, ou fogareiro!

Após alguns testes utilizando o reator de HHO concluímos que precisaremos de um gerador diferente, que separa o hidrogênio do oxigênio. Combustível e comburente juntos geram um gás explosivo. O hidrogênio sozinho não explode, inflama, e é o gás ideal para o funcionamento do fogão plúvio solar.

Em parceria com o grupo HHO Experts, faremos a primeira demonstração pública do fogão plúvio solar durante o primeiro encontro de carros movidos com hidrogênio que ocorrerá em São Paulo em novembro de 2018.

Aguardem os resultados por aqui e pela seção blog do nosso site.

 

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Zeolina, a kombi hidrogenada de gerador novo!

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ZEOLINA, A KOMBI HIDROGENADA

Levamos a linda kombi Zeolina para um belo trato numa oficina mecânica em Ibaté, SP: a troca do sistema de geração de hidrogênio que alimenta parcialmente seu motor.

TEXTO E FOTOS: F. Pepe Guimarães | F14 FOTOGRAFIA.com

São 8h de uma manhã de quinta feira de calor em SP. A primavera chegou há poucos dias e a massa de ar quente que toma conta da capital anuncia com veemência que provavelmente o frio não volta mais esse ano.

Saio de casa pedalando para um trajeto de 6 km até o ponto de encontro marcado com um dos Permacultores Urbanos. O trajeto é curto mas muito movimentado. Primeiro preciso descer do início ao final uma via de trânsito intenso e rápido, depois atravessar o Rio Pinheiros pela calçada de pedestres de uma das pontes que o cruza, para então acessar 2 avenidas largas até chegar na beira de uma das estradas que leva rumo ao interior.

Nosso destino é Ibaté/SP. Lá estão localizados o produtor e a oficina mecânica que vai instalar um novo sistema de geração de hidrogênio para alimentar parcialmente o motor da Zeolina, uma Kombi 2009 usada pelo Vinícius Pereira em suas incursões musicais e permaculturais Brasil afora.

Apesar do forte calor e das vias com excesso de veículos, tudo sai bem ao longo de toda a rota da pedalada. Mesmo há 19 anos andando de bicicleta pelas ruas de São Paulo, foi só recentemente que realmente aprendi que vale muito a pena investir 10 ou 15 minutinhos a mais para preparar sua mochila ou alforje (ideal até que seja na noite anterior) e para, principalmente, planejar com antecedência a rota antes de sair para um deslocamento maior ou fora da sua rotina.

Até uns 2 ou 3 anos atrás eu saía sempre na louca, atrasado, com pressa e deixava para pensar qual caminho precisaria fazer só depois de já estar na rua dando as primeiras pedaladas. Isso é terrível pois provavelmente vai te induzir a correr desnecessariamente (na velocidade e nos riscos), seja em ciclovias ou em meio aos carros. Ou no mínimo, te deixa com uma horrível sensação de ser uma barata tonta. Ou, pior ainda, com a sensação de estar preso num estado mental igual ao de muitos condutores, que dirigem apressadamente e adotando atitudes egoístas de posse do espaço viário, reclamando de tudo e de todos. Blargh !

Saindo com antecedência e/ou com a rota bem traçadinha a gente fica com muito mais margem para lidar com imprevistos: tempo para remendar um pneu furado; um engarrafamento louco que te leva a buscar uma rota alternativa; e, o mais gostoso de tudo, te permite observar e curtir melhor o caminho, pedalar no ritmo e intensidade que melhor lhe convir, olhar para os lados, cumprimentar os outros ciclistas que cruzam sua rota. Mil delícias !

Somos um grupo pequeno: apenas 3 pessoas: Vinícius, o permacultor; Thiago Henrique, videomaker; e eu, fotógrafo e curioso. Fui o primeiro a chegar. Ali no posto de combustível onde era o ponto de encontro e que ficava na beirinha do início da estrada, já sentia aquela sensação gostosa de início de viagem. Seria apenas um bate-volta, nem dá para chamar direito de viaaaagem, mas para quem vive e trabalha a maioria dos dias do ano dentro do Centro expandido, passar um único dia fora da Capital tem suas emoções especiais.

Ibaté fica a cerca de 250 km de São Paulo, um pouco a frente de São Carlos. Não chega a ser longe, mas convém sairmos logo. Tanque abastecido, bicicleta dobrada e guardada no bagageiro da Kombi, todos presentes; tudo pronto pra saída.

Sentamos os 3 no banco da frente que tem o tamanho certinho para 3 lugares. Cabemos todos, mesmo que apertadinhos. Em poucos minutos, apenas no curto trecho entre o posto e a estrada que devemos acessar, a Kombi é inesperadamente fechada algumas vezes por outros veículos. Comento com Vinícius, e ele me diz que já se acostumou e nem se apoquenta mais. Conta também que na informal hierarquia do trânsito as Kombis são consideradas, entre os condutores dos outros veículos motorizados, aqueles que “não precisa se respeitar”.

Já na estrada logo engatamos uma boa conversa. Dos 3 ali presentes, 2 não se conhecem, e para ajudar a deixar tudo no clima, o Vinícius propõe fazermos uma rápida rodada de recapitulação das nossas trajetórias pessoais e profissionais, que direta ou indiretamente nos levam a estar dentro daquela Kombi rumo a Ibaté para passar uma tarde inteira dentro de uma oficina mecânica.

Há 1 ano a Kombi Zeolina já roda com um sistema de alimentação parcial a hidrogênio. Um ano de testes na tentativa de, primeiro, entender o comportamento do motor nessa alimentação híbrida (combustíveis convencionais e hidrogênio), para então tentar mensurar as economias geradas. Essas mensurações acabam sendo ainda imprecisas, mas no feeling e no conhecimento que tem do veículo o Vinicius sabe que a economia existe.

A ideia agora é trocar esse sistema todo. Colocar um novo e diferente, para continuar testando e encontrando a melhor relação entre capacidade de geração e queima, e transformação disso em energia pro motor. Conforme nos explica o Vinícius, basicamente e em linguagem nada técnica, o sistema que será instalado (desenvolvido pela empresa H2 Pro) é composto por um conjunto de placas que dão um choque (eletrólise) numa água desmineralizada (que vem de um tanquinho que faz parte do kit), que separa os átomos de hidrogênio e de oxigênio. Um tubo adicional acoplado ao tubo de ventilação do motor lança esse hidrogênio gerado, o que potencializa a geração de energia do motor, pela combinação de queima de combustível convencional com queima de hidrogênio.

E antes que perguntemos incrédulos sobre andar dentro de uma cápsula que produz e promove a queima de hidrogênio (substância altamente inflamável e com potencial explosivo 10 vezes maior que a gasolina), Vinícius nos explica e acalma dizendo que o perigo existe somente quando se acumula e comprime o hidrogênio. E complementa explicando que nesses sistemas desenvolvidos para uso em motor de veículos, todo e absolutamente todo hidrogênio gerado é instantaneamente consumido na queima do motor, não gerando qualquer acúmulo, resquício ou descarte de excessos.

Chegamos ao destino na hora do almoço e nos encantamos com a calmaria do rush do meio dia na cidade. Pouquíssimos carros circulando, ruas pacatas, belas casinhas e uma praça central linda repleta de sombra feita por imensas árvores. Almoçamos um PF de comida caseira e rumamos para a oficina Autocenter São José.

A instalação do novo sistema iria demorar algumas horas e quanto antes começasse, melhor.

A primeira meia hora foi de verificações no motor da Kombi, identificação de componentes, localização dos melhores espaços e possibilidades de ligações, dúvidas sendo perguntadas e respondidas por ambas as partes. Mas imagino que estavam todos com muita vontade de colocar a mão na massa, pois tão logo se esgotaram todas as questões o trabalho começou a todo vapor.

Junto ao Mário, o mecânico responsável, estava o Cristiano da H2 Pro, a empresa fabricante do gerador de hidrogênio. Eles dois juntos estavam a cargo de toda a instalação mecânica, e o Vinícius acompanhava tudo ali do lado, meticulosamente.

Eu acompanho de perto, mas mantendo a distância necessária para não atrapalhar o trabalho dos rapazes, que a todo momento precisam pegar ferramentas, sentar, levantar, deitar, levantar, voltar a sentar no chão, se enfiar pra dentro do motor, entrar debaixo do carro. A oficina estava lotada de serviços, e os demais mecânicos seguem nesse mesmo fluxo.

Decido sair para um caminhada para sentir o clima da cidade.

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Da Paz e renovável

DA PAZ E RENOVÁVEL

Visita guiada ao Instituto Favela da Paz inspira permacultores em seus estudos e práticas, e revela um lindo exemplo de vivência em comunidade.

TEXTO: colaborativo
FOTOS: F. Pepe Guimarães | F14 FOTOGRAFIA.com

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Em uma manhã de sábado um grupo de pessoas se reúne no Largo da Batata ao redor de uma Kombi colorida. São seis adultos e uma criança que estão de saída para uma visita guiada ao Instituto Favela da Paz, no Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo.

O Instituto trabalha para o fortalecimento da comunidade, e faz isso através da arte, da cultura, e do uso de soluções para a auto-suficiência (em termos de água, alimento e energia). Sua visão é tornar-se um modelo replicável e um centro de educação para a autonomia e para a paz – tanto entre seres humanos, como entre seres humanos e o meio-ambiente.

Saindo do Largo da Batata, em Pinheiros, o caminho vai pela marginal do Rio Pinheiros, e passando ao lado de um rio tão poluído e cheio de lixo e esgoto não tratado, fica impossível não pensar criticamente no histórico e no modelo de desenvolvimento adotado na cidade, que até hoje baseia-se no sufocamento dos recursos naturais.

(continua) …

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Minicisterna no Jornal da Gente

Apesar do aumento nos níveis do Sistema Cantareira (que nesta sexta-feira chegou a 10%), o sinal vermelho do abastecimento de água na região segue aceso. Além de racionalizar o consumo da água, uma das opções que a população pode adotar é a captação da água das chuvas e armazenamento de cisternas ou minicisternas. A água captada é adequada para a rega de plantas, descarga, lavagem do quintal, da bicicleta, do carro e até lavar roupas (com tratamento simples com cloro). “Trabalhamos desde novembro com a instalação de cisternas, mas com o agravamento da crise, desde janeiro fazemos entre 2 e 3 instalações por dia”, explica Vinicius Pereira, instalador do Coletivo Permacultores Urbanos, responsável pela instalação de um sistema de cisternas na casa da moradora da Vila Romana, Mônica Borba.

Segundo Vinicius e Valdir Motta, do Permacultores Urbanos, o maior desafio é encontrar informação e pessoal capacitado para fazer o sistema em casas. “Busquei profissionais que fizessem este tipo de projeto e como não encontrei comecei a fazer e instalar eu e Valdir as cisternas”, afirma Vinicius. Um projeto simples, por exemplo, tem diversos detalhes importantes como filtro de folhas e reservatório temporário, que guarda a 1ª água da chuva (que vem mais suja), entre outros detalhes que garantem a eficácia do projeto. Para Mônica, a minicisterna é importante, pois garante o armazenamento de água para regar as plantas de seu quintal. “Dependendo da chuva e do telhado, é possível coletar até 200 litros de água por chuva”, finaliza Vinicius Pereira.

* A Minicisterna é uma tecnologia desenvolvida pelo mestre em soluções sustentáveis de baixo custo, o Edison Urbano. Saiba mais em seu site: http://sempresustentavel.com

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Movimento Cisterna Já na Globo

Durante os primeiros anúncios da crise, em janeiro de 2015, a rede Globo noticiou o surgimento do Movimento Cisterna Já. A matéria apresenta o inventor da minicisterna, o mestre Edison Urbano e conta como se deram alguns desdobramentos dos seus cursos realizados na cidade de São Paulo, inclusive o nascimento no Permacultores Urbanos. Confira no link abaixo:

Movimento Cisterna Já na Globo