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7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando.

As vezes as árvores nos impedem de ver a floresta.

Sobre os padrões

Se você parar para observar com cuidado, vai perceber que a natureza está cheia de padrões. E atentando-se a eles, perceberás que linha reta é coisa rara na natureza. Perdoem-me os terraplanistas, mas nem no horizonte temos uma linha reta. Repare no desenho dos rios, das folhas, das árvores, das montanhas, sempre sinuosos, muitas vezes espiralados, ou circulares. 

Vamos tomar como exemplo o nosso famoso Rio Pinheiros, aqui em São Paulo: no seu trajeto original, nosso rio era cheio de curvas, irrigava a maior área possível e todo o seu entorno. Quanto mais longo o seu percurso, maior a área que um rio consegue hidratar.  Retificado, o rio percorre o caminho mais curto possível. Mas esse não é o desejo das águas, é o desejo dos automóveis.

Acontece que não há obra de engenharia capaz de conter os desejos d’água: durante o período mais pesado das chuvas nós teremos inundações. As águas querem área de várzea, inundar as planícies distribuindo os nutrientes que carregam, levando a vida mais longe. 

Olhando de fora, um design apropriado para o urbanismo paulistano incluiria um enorme parque linear ao longo dos nossos rios, permitindo à população gozar do contato com as águas e com o verde durante o outono, inverno e primavera e no verão, nosso parque seria inundado, como acontece todos os anos com as áreas de várzea. Um design apropriado não luta contra a natureza, a observa, compreende e propõe interações que aproveitam as suas características cíclicas, os seus padrões que, queiramos ou não, se repetirão a cada repetição do ciclo.

 

 

Parque Linear Fiat Lux. Desenho de Eduardo Pizarro

Observando os padrões no seu espaço, o que você encontra? Eles te inpiram de alguma maneira? Poderia algum deles se transformar numa intervenção no seu lugar? 

Bom trabalho de observação, até o próximo princípio de planejamento permacultural! 

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

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6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

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3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

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6º – Não produza desperdícios

A minhoca no ícone do sexto princípio de design em permacultura já diz muito: ela representa a compostagem.

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências. Vou dar e exemplo clássico do limão:

Seu sumo vira suco, tempero para a salada. A casca, vai virar produto de limpeza, enzima cítrica. Três meses depois, já devidamente fermentada e pronta a enzima, o bagaço vai para a leira de compostagem. Mais três meses depois, o adubo vai para o solo para produzir mais alimentos. Fechamos um ciclo e geramos zero desperdício.

No caso da bananeira, o coração vai pra panela, as frutas a gente come, as cascas também viram bolo, o “tronco” vai virar cobertura de solo para a horta e as folhas serão usadas para envolver alimentos no forno. A planta todinha pode ser utilizada se a gente quiser. E digo mais:

Todos os nutrientes que o seu corpo não absorveu dessa bananada toda que você comeu e que mandou descarga abaixo também podem ser saneados ecologicamente usando um vermifiltro por exemplo e o adubo fruto desse processo pode ser encaminhado para um círculo de bananeiras, fechando outro ciclo!

Fazer reúso da água da máquina de lavar é fácil e te ajuda a economizar mais de 60 litros a cada lavagem. A água da pia pode ser recolhida na bacia ou então pode receber um sistema de tratamento de águas cinzas, podendo ser reutilizada na rega das suas hortaliças, para a lavagem de piso ou na descarga, se você quiser.

A bicicleta velha que está enferrujando pode receber uma linda atenção, uma lubrificação, troca de cabos e regulagem e pimba, voltar a rodar! O velho par de tênis está bonzinho por cima, mas com um buraco na sola? Sapateiro resolve, novo de novo.

#reusar #reciclar #compostar são palavras chave do sexto princípio do planejamento permacultural.

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5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

Uma das maiores alegrias no planejamento permacultural é quando conseguimos transformar nossos os problemas em soluções. Um exemplo clássico é o do nosso cocô: recurso renovável e abundante, quando vai para o rio é poluição, mas quando vai para um biodigestor é transformado em biofertilizante e biogás! Veja que maravilha, produzindo biogás em casa, deixamos de consumir o gás proveniente da exploração do petróleo. E graças ao fertilizante líquido que também é produto da biodigestão, nos livramos dos adubos industrializados.

Nosso amigo Fábio Miranda nos mostra que fazer biodigestão não é tão complicado assim e que é possível se produzir biogás também nos centros urbanos, inclusive utilizando materiais reciclados, como ele faz na sua casa, numa das comunidades mais densas de São Paulo, o Jardim Nakamura.

Portanto para quem faz permacultura na cidade, madeiras e tubos de PVC encontrados em caçambas, garrafas PET, bombonas de transporte de alimentos e demais recursos vistos por alguns como “lixo”, podem ser encarados sim como recursos renováveis, uma vez que não paramos de produzí-los.

Fábio Miranda e seu Biodigestor no Instituto Favela da Paz

Tá, você não produz gás suficiente para a sua cocção diária? Que tal utilizar um forno solar, como nos ensina o mestre Edison Urbano? Já que falamos em energia do sol, podemos aproveitá-la não só para cozinhar, mas para aquecer a água do nosso banho e gerar energia elétrica, através dos sistemas fotovoltáicos.

Bioconstruir a sua casa com recursos locais também é uma ótima maneira de evitar os recursos não renováveis. Vai cavar um açude? Opa, temos terra para erguermos uma bela casa! Tem uma touceira de bambu gigante aí pertinho? Ta aí uma bela opção de material para a estrutra da sua casa.

A permacultora Julhiana Costal do Arboreser dá belos exemplos de como usar a energia renovável no dia-a-dia. Escute-a:

Conheça os outros princípios do planejamento permacultural:

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4º – Pratique a autorregulação e aceite conselhos (feedbacks)

O quarto princípio do planejamento permacultural nos faz um convite: ouçamos as respostas das nossas ações. Quando chuvas intensas e devastadoras passam a ser comuns na “terra da garoa”, a natureza está nos dando um recado. O super adensamento urbano e a devastação das florestas geram efeitos colaterais. Quando somos capazes de ler as respostas naturais, estamos prontos para modificar nossa forma de atuar no território para corrigir algum determinado desiquilíbrio ou intensificar alguma ação que ao longo do tempo vem se mostrando benéfica para nós e para o meio ambiente.

Mesmo tendo observado com atenção o ambiente antes de começarmos a agir, todo planejamento possuirá fragilidades que só vão se revelar ao longo do tempo. É portanto fundamental estarmos abertos e dispostos a mudar os nossos planos a partir do retorno que o tempo nos oferece.

Quanto maior a biodiversidade, maior a dinâmica da vida no lugar, mais fácil se dará a autoregulação.

A natureza não dá só feedbacks negativos. Quando determinadas espécies crescem lindas e maravilhosas, fortes, sadias, com frutos vistosos e saborosos você está recebendo um feedback positivo. A espécie gostou do local, da humidade, da insolação, das características do solo, das plantas companheiras, enfim, esse aprendizado servirá para plantios futuros.

Você já sabe: a taioba adora ficar por perto das bananeiras. O milho, o feijão e a abóbora formam um trio ultra poderoso. Foi através da observação do sucesso entre interação dessas espécies que chegamos a esses saberes que os agricultores vem sistematizando ao longo do tempo e hoje, graças a essa observação dos feedbacks que a natureza nos dá, existem vários consórcios de plantas conhecidos, que podem ser replicados mundão afora. Conhecimento adquirido através da observação e da leitura das respostas da natureza.

Ouçamos o que tem a dizer Julhiana Costal do Arboreser:

OUTROS CONCEITOS

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3º – obtenha rendimento

Horta em mandala do acampamento Marielle Vive. Plantas de ciclo rápido geram rendimento em até 2 meses. Foto: MST.

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro? Essa é sem dúvida uma forma de rendimento. Mas podemos ampliar o sentido da palavra, como veremos à seguir.

Entendemos por rendimento todos os recursos gerados no local que possam suprir as necessidades dos seus habitantes. Para quem vive na zona rural, o dinheiro pode não ser tão importante quanto para quem vive na cidade. Uma galinha, alguns kilos de batata doce ou manivas daquela mandioca maravilhosa podem ser excelentes moedas de troca com os seus vizinhos.

 “desenhar sistemas e organizar nossas vidas de modo a obtermos rendimento através de meios que otimizem a potência de trabalho útil de tudo o que fazemos”

Neste princípio “obtenha rendimento” Holmgren nos convida a incluirmos no nosso planejamento, além de investimentos de longo prazo como o plantio de árvores que poderão ser colhidas daqui a 7 anos, ações que nos gerem um retorno rápido.

Produza comida, madeira, água, adubo, energia elétrica, aproveite portanto a energia do seu trabalho para produzir recursos capazes de atender as suas e as demandas dos demais seres vivos que compartilham a morada contigo e que dependem do seu esforço ou obtem melhor qualidade de vida a partir do seu planejamento.

Ouça a Julhiana Costal, falando do seu jardim na Zona Norte de São Paulo sobre como obter rendimento a curto prazo na realidade urbana.

OUTROS CONCEITOS

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2º – Capte e armazene energia

Na Alemanha, essa casa aproveita o telhado para produzir energia elétrica, aquecer as águas e iluminar seu porão. Foto fonte: GreenMatch.co.uk

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante todo o verão na região sudeste do Brasil desaparece durante o período do inverno. Depois de observar e compreender este fenômeno, o planejador provavelmente desenhará uma cisterna para a captação da água da chuva.

Uma vez captada e armazenada numa cisterna, a água da chuva, antes acessível somente durante o período de chuvas, passa agora a estar disponível para o uso durante o período de secas (quando devidamente dimensionada, claro). A permacultura pretende portanto estimular a produção de energia in loco, em pequena escala, tornando menos necessária a nossa dependência da produção industrial de energia, que gera impactos imensos ao meio ambiente.

Através da sua intervenção, o permacultor transforma recursos acessíveis em recursos disponíveis.

No jardim agroecológico da permacultora Andrea Pesek, a cisterna de 3 mil litros a permite ter acesso à água para a rega durante quase todos os meses de estiagem. Quando a cisterna seca, ela passa a utilizar para a rega a água do lago de chuva, proporcionando autonomia hídrica durante o ano todo. Perceba, a casa possui mais de uma forma de armazenamento para o recurso água de chuva, a cisterna e o lago. E o planejamento permacultural da casa dela não pára por aí: as águas cinzas produzidas na cozinha alimentam um círculo de bananeiras que armazena as águas nas plantas e transforma essa energia também em frutos.

Este mesmo princípio se aplica a todos os recursos acessíveis no local. Tomemos agora como exemplo a energia solar: através da implementação de um sistema fotovoltáico, é possível armazenar a energia do sol na forma de energia elétrica. Já através de um sistema de aquecimento, é possível armazenar essa energia em forma de calor, água aquecida.

O permacultor Edison Urbano ensina no seu site Sempre Sustentável uma série de técnicas para a captação e armazenamento de energia, todas de baixo custo, usando na maioria das vezes como matéria prima bombonas, garrafas PET e outros materiais reutilizados. Confira e tenha boas idéias para o seu planejamento permacultural!

Outros pontos de vista

A permacultora Julhiana Costal traz para a pauta o beneficiamento de alimentos. Através da produção de chucrutes ou outros fermentados, é possível se estocar energia em forma de conservas, possibilitando extender o seu consumo por um período prolongado. Confira essa e outras idéias no vídeo:

OUTROS CONCEITOS

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1º – Observe e interaja

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

Antes de arregaçar as mangas, pegar a enxada e sair arrepiando o terreno, pare e observe o ambiente com o qual pretende interagir. Quando conhecemos o espaço, o bioma, o clima de um lugar, estamos prontos para tomar a primeira atitude que a permacultura nos ensina: planejar. Quem procurou por cursos de permacultura encontrou os populares PDCs. A sigla em inglês resume Permaculture Design Course. Em português quer dizer Curso de Desenho (ou Planejamento) Permacultural.

Não é à toa que o primeiro princípio do planejamento seja a observação. É impossível se realizar um bom planejamento permacultural sem antes conhecer muitíssimo bem a dinâmica natural, os ciclos do lugar. Qual o clima do seu espaço? Faz frio o ano todo? Será então que aquela mangueira que você ganhou do seu amigo vai bem por aí? Aquele seu desejo de plantar palmito, aí no alto das montanhas, será uma boa ideia? Quais as plantas mais comuns por aí, você já as conhece? E os pássaros? Qual o regime de chuvas da região? As nascentes diminuem muito no período de estiagem? Será inteligente pensar em cavar açudes? Essas e muitas outras respostas surgem da observação. Os designers mais experientes dizem que é importante observar um local por pelo menos um ano antes de iniciar o planejamento, ou seja, ter vivido pelo menos uma vez cada uma das 4 estações.

Princípio aplicado a uma residência na cidade

Já no meio urbano, tomemos como exemplo uma família que acaba de se mudar para uma casa e pretende fazer uma horta no pequeno quintal: com muros por todos os lados e sombreada também pela enorme casa de dois andares, o frio quintal recebe pouco tempo de sol. Mudaram-se no verão e percebem que o corredor lateral é o local com maior incidência solar. Quebram o piso de concreto de toda a lateral da casa, plantam de tudo na época de chuvas e tem uma primeira colheita satisfatória. Alguns meses depois surge o primeiro problema: o sol do inverno não chega até o chão e todas as plantas se entristecem. Mas as paredes do muro ainda recebem sol, aparentemente o ano todo. Será que um sistema de hidroponia não seria mais apropriado para a produção de alimentos nesse corredor? Ou será que a laje da garagem (onde eles nunca subiram para observar) não seria o local mais apropriado para se produzir alimentos nessa casa?

Outra possibilidade para quem vive nos centros urbanos são as praças públicas, os linhões das concessionárias de energia e de água, ou até terrenos baldios abandonados. Existem diversas possibilidades “marginais” aguardando a intervenção de pequenos grupos de vizinhos interessados em se reconectar com a terra. Observando o seu bairro, você descobrirá outras possibilidades de locais e também grupos de pessoas às quais associar-se pode ser uma boa pedida. Mais uma vez, observemos.

Princípio aplicado ao urbanismo

 

Quantas São Paulos vemos nessa foto? Observar requer a escuta de diversos pontos de vista para o planejamento em situações de super adensamento populacional.

O recurso natural mais abundante numa cidade grande é o recurso humano, as pessoas. Portanto “observar” neste meio significa não somente olhar para a movimentação social, mas ouvir as pessoas e entender através da escuta as suas necessidades, crenças, hábitos culturais para a partir de então pensar num planejamento para este grupo, neste local específico.

Cada comunidade possui características geográficas, políticas, sociais e culturais específicas e por esse motivo a observação caso a caso se faz imprescindível. Um bairro habitado por uma população com grande concentração de renda possui características específicas. A poucos metros dali, quiçá distanciados pela presença de um muro, temos outra população com renda e hábitos culturais muito diferentes. Se faz super necessária a observação de ambos os lados para poder se delinear um projeto de design capaz de integrar ao invés de segregar as pessoas. Certamente as bordas, no caso esse muro, seria um elemento importantíssimo no nosso planejamento.

Outros pontos de vista

Ouçamos agora a experiente Julhiana Costal, integrante do coletivo Arboreser, que há muitos anos pratica a permacultura urbana e produz alimentos na sua casa na Zona Norte de São Paulo.

OUTROS CONCEITOS

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O que é permacultura?

As 3 éticas e os 12 princípios da permacultura. Fonte da imagem: http://permacultureprinciples.com/pt/

O termo Permacultura nasceu lá na Austrália, na década de 1970 por dois acadêmicos: Bill Molison e David Holmgreen. Inconformados com a idéia de que era necessário se usar agrotóxicos e insumos industriais, poluir os rios, o solo e acabar com a biodiversidade para se produzir comida, resolveram inventar uma nova maneira de plantar, em harmonia com a natureza. Logo no começo da pesquisa os agrônomos entenderam que não precisavam inventar nada: a resposta para as suas buscas estava na reconecção com os saberes ancestrais e foi então se aproximando da cultura dos aborígenes da sua terra que nasceu a idéia da permacultura.

O termo era então uma abreviação de “Agricultura Permanente”. Mas esse conceito foi se transformando ao longo dos anos. A Permacultura passou a abrigar também outros conhecimentos, a fazer gestão dos recursos energéticos, a estudar os padrões naturais, a compreender que toda a matéria é fonte de recursos e integrar-se à ecologia. Se transformou numa ferramenta de planejamento de assentamentos humanos (a princípios propriedades rurais) e seu significado ganhou muito mais amplitude, transformando-se em “Cultura da Permanência”.

Hoje entendemos a permacultura como uma ciência holística de cunho socioambiental que conecta os saberes tradicionais com a sistematização acadêmica: o popular e o erudito, o sertanejo e o doutor sentados na mesma mesa tomando café com bolo assado no forno à lenha enquanto o drone faz o mapeamento da propriedade para o trabalho de planejamento. Sabedoria ancestral e tecnologia de vanguarda trabalhando juntas, regidas por princípios éticos, cuidando do futuro dos seres humanos e do restante da natureza da qual um dia nos esquecemos que fazemos parte.

Éticas da permacultura

  1. Cuidar da terra
  2. Cuidar das pessoas
  3. Cuidar do futuro*

*Pensadores da permacultura tem discutido o terceiro princípio então pode ser que você encontre Cuidar do futuro (Dixon, 2014; Harland, 2018; McKenzie e Lemos, 2008), Partilha justa (Holmgreen, 2002) ou Limites ao crescimento e ao consumo (Mollison, 1988)

Os 12 princípios para o planejamento (design) permacultural

1. Observe e interaja 
2. Capte e armazene energia 
3. Obtenha rendimento
 
4. Pratique a autorregulação e aceite conselhos (feedbacks) 
5. Use e valorize os serviços e recursos renováveis 
6. Não produza desperdícios
7. Design partindo de padrões para chegar aos detalhes 
8. Integrar ao invés de segregar
9. Use soluções pequenas e lentas 
10. Use e valorize a diversidade 
11. Use os limites e valorize o marginal 
12. Responda criativamente às mudanças 

Estamos produzindo um post para cada princípio incluindo exemplos práticos de cada um deles. Enquanto isso você pode se aprofundar no tema consultando o site de um dos pais da Permacultura, David HolmGreen. Acesse aqui Os Princípios da Permacultura.

Como a permacultura atua na prática?

A ferramenta mais importante que a permacultura nos oferece é a metodologia de design de propriedades, que chamamos hoje no Brasil de “planejamento permacultural”. O planejamento consiste em entender as necessidades de todos os seres habitantes da propriedade, o que oferecem energeticamente, quais os recursos presentes no lugar e pensar de que maneira podemos conectá-los afim de que o ciclo se feche e, com o mínimo de esforço todos tenham as suas necessidades supridas.

“Além de incidir sobre um design sustentável de ambientes, a permacultura propõe também mudanças no âmbito da organização social e política sob a qual vivemos.” escreveu Camila Alba no seu estudo Planejamento Permacultural Urbano escrito para a UFSC.