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2º – Capte e armazene energia

Na Alemanha, essa casa aproveita o telhado para produzir energia elétrica, aquecer as águas e iluminar seu porão. Foto fonte: GreenMatch.co.uk

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante todo o verão na região sudeste do Brasil desaparece durante o período do inverno. Depois de observar e compreender este fenômeno, o planejador provavelmente desenhará uma cisterna para a captação da água da chuva.

Uma vez captada e armazenada numa cisterna, a água da chuva, antes acessível somente durante o período de chuvas, passa agora a estar disponível para o uso durante o período de secas (quando devidamente dimensionada, claro). A permacultura pretende portanto estimular a produção de energia in loco, em pequena escala, tornando menos necessária a nossa dependência da produção industrial de energia, que gera impactos imensos ao meio ambiente.

Através da sua intervenção, o permacultor transforma recursos acessíveis em recursos disponíveis.

No jardim agroecológico da permacultora Andrea Pesek, a cisterna de 3 mil litros a permite ter acesso à água para a rega durante quase todos os meses de estiagem. Quando a cisterna seca, ela passa a utilizar para a rega a água do lago de chuva, proporcionando autonomia hídrica durante o ano todo. Perceba, a casa possui mais de uma forma de armazenamento para o recurso água de chuva, a cisterna e o lago. E o planejamento permacultural da casa dela não pára por aí: as águas cinzas produzidas na cozinha alimentam um círculo de bananeiras que armazena as águas nas plantas e transforma essa energia também em frutos.

Este mesmo princípio se aplica a todos os recursos acessíveis no local. Tomemos agora como exemplo a energia solar: através da implementação de um sistema fotovoltáico, é possível armazenar a energia do sol na forma de energia elétrica. Já através de um sistema de aquecimento, é possível armazenar essa energia em forma de calor, água aquecida.

O permacultor Edison Urbano ensina no seu site Sempre Sustentável uma série de técnicas para a captação e armazenamento de energia, todas de baixo custo, usando na maioria das vezes como matéria prima bombonas, garrafas PET e outros materiais reutilizados. Confira e tenha boas idéias para o seu planejamento permacultural!

Outros pontos de vista

A permacultora Julhiana Costal traz para a pauta o beneficiamento de alimentos. Através da produção de chucrutes ou outros fermentados, é possível se estocar energia em forma de conservas, possibilitando extender o seu consumo por um período prolongado. Confira essa e outras idéias no vídeo:

Conheça os outros 12 princípios de planejamento permacultural:

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

1º – Observe e interaja

O primeiro dos 12 princípios da permacultura nos convida a conhecer muito bem o ambiente para o qual vamos planejar antes de começarmos a atuar.

2º – Capte e armazene energia

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante

3º – obtenha rendimento

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro?

5º – Use e valorize os serviços e recursos renováveis

Quando falamos sobre recursos renováveis, tradicionalmente pensamos na energia solar, na energia eólica, até a força das marés já são utilizadas na geração de energia elétrica. Mas aqui neste post nós vamos ampliar um pouco esse conceito.

6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

8º – Integrar ao invés de segregar

O oitavo princípio do planejamento permacultural nos convida a refletirmos sobre o velho conceito de independência. Será que é isso que buscamos no design permacultural?

9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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Jardim Agroecológico

O Jardim Agroecológico é orgânico, regenerativo, sem venenos ou insumos químicos. Considera o ser humano parte integrante da natureza e segue os princípios da permacultura e agroecologia: cuidar da terra, cuidar das pessoas, compartilhar saberes e colheitas, cuidar do futuro.

Quando Andrea Pesek chegou na sua nova morada no ano de 2017, encontrou no quintal um gramado triste, a terra seca e compactada. Decidiu então dedicar-se a transformar aquele quintal num oasis de abundância utilizando-se de todo o conhecimento que adquiriu em anos de regeneração de espaços públicos e nascentes urbanas como a Praça da Nascente, Horta das Corujas, Nascentes do Iquiririm, Nascentes da Jóia entre outras.

Cultivar um jardim que imita os processos da natureza é curar um pedacinho do planeta. Os pedacinhos somados resultam no mundo abundante que sonhamos juntos. O que permanece para além da nossa existência? Que memória iremos imprimir em nossa passagem pela Terra? Criar um jardim agroecológico é uma forma de manifestar nosso desejo de permanência da vida.

Hoje, o jardim de 250 metros quadrados abriga mais de 300 espécies de plantas harmoniosamente misturadas, como picão, serralha, bertalha, capuchinha, milho, abóbora, buva, trapoeraba, almeirão selvagem, dente de leão, centelha asiática, ora pro nobis, feijão mangalô, feijão gandu, tabaco selvagem, taioba, gengibre, cúrcuma, mamona, mamoeiro, bananeira, pitangueira, muitas ervas e muitas flores. 

Andrea realiza vivências bimestrais no Jardim Agroecológico, oferece consultoria presencial para quem quer transformar os seus quintais em jardins agroecológicos e eventualmente seus serviços de jardinagem. Como sabe que não pode cuidar de todos os jardins do mundo, ela se dedica em transmitir os seus conhecimentos e capacitar o máximo de jardineiros agroecológicos que puder.

De jardim em jardim a floresta vencerá o asfalto.

A água da chuva é a guia do desenho do Jardim Agroecológico.