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TEvap: tratamento de esgoto no quintal

Conheça o TEvap, tecnologia que trata o seu esgoto no quintal com segurança e de quebra ainda cria um jardim de bananeiras produtivo.

TEvap é sigla de Tanque de Evapotranspiração, também conhecido como BET – Bacia de Evapotranspiração.

É uma tecnologia baseada na Permacultura que serve para tratar o esgoto do vaso sanitário e transformar em bananas. Em resumo: usamos a água e os nutrientes do esgoto para alimentar um canteiro de bananeiras no próprio quintal, no campo ou na cidade.

 

O esgoto do vaso sanitário entra pelo túnel de pneus e extravasa pela camada de entulho cerâmico – que funciona como um filtro biológico – onde sofre a ação de bactérias anaeróbias que digerem a matéria orgânica, liberando água e minerais, além de um pouco de gás metano, que não tem cheiro.

A água e os minerais são absorvidos pelas raízes das plantas (principalmente bananeiras). A água evapora pelas folhas e pelo solo e os minerais entram na composição da biomassa das plantas.

Se bem dimensionado para as condições e contexto locais, ele não tem saída de esgoto, funcionando como destinação final.

De quanto espaço eu preciso?

A evapotranspiração ocorre em função da área, que deve ser calculada a partir da base de 2 m2 por pessoa que for usar o sistema. Por exemplo: Uma família de 4 pessoas precisa de um espaço de 8m2 para instalar o TEvap, mais um espaço para circulação ao redor dele. A profundidade é sempre a mesma, em qualquer caso: entre 1 m e 1,20 m.

Mas não vai contaminar o solo e a água?

Para evitar a contaminação do solo e da água e também para a criação de um ambiente anaeróbio no tanque, ele precisa ser cuidadosamente impermeabilizado, tipo uma piscina, só que sem ralo. Pode ser construído em alvenaria, ferro-cimento ou com colocação de lonas, que é o melhor custo-benefício.

  •  

Passo-a-passo:

    • Escavação da vala nas dimensões indicadas

    • Colocação de uma manta geotêxtil (bidim) entre o solo e a lona plástica (para proteger a lona)

    • 2 ou mais camadas de lona plástica. Devem ficar bem folgadas, pra não esticar na hora de colocar o entulho.

    • Túnel de pneus: é uma câmara de recepção do esgoto, para acomodar os sólidos e o sistema não entupir. Podem ser utilizados outros materiais além de pneus.

    • Camada de entulho cerâmico, até a altura dos pneus (50 – 60 cm) 

    •  Manta geotêxtil (Bidim) acima da camada de entulho, também bem folgada, pra não criar pontos de tensão. Deve ficar bem colocada nas laterais e pode ser sobreposta nas emendas sem necessidade de cola.

    • Camada de terra. 

      • Pode ser devolvida parte da terra retirada na escavação, elevando a superfície do solo no centro do tanque, com uma declividade para as laterais, de forma que a terra passe por cima do topo das paredes do tanque.

      • Quando o preenchimento com terra chegar ao nível original do solo, o excedente da lona deve ser enrolado junto à parede ou cortado, de forma que não seja uma barreira para a infiltração da água ou desenvolvimento de raízes.

    • Leito de plantio 

      • Depois do preenchimento com terra já estar no formato final, uma camada de mais 5 cm de terra bem adubada com materiais orgânicos é colocada para finalização.

São plantadas cerca de 1 bananeira para cada 2 m2 e outras plantas ornamentais e comestíveis, desde que não tenham raízes pivotantes.

Referências para estudo

Dissertação Adriana Galbiati

http://www.fazenda.paginas.ufsc.br/files/2017/02/2009-GALBIATTI-Tratamentode-aguas-negras-por-tanque-de-evapotranspiracao.pdf

Catalosan – FUNASA

http://www.funasa.gov.br/biblioteca-eletronica/publicacoes/estudos-e-pesquisas1/-/asset_publisher/qGiy9skHw4ar/content/catalosan-catalogo-de-solucoes-sustentaveis-de-saneamento

Saneamento Rural – Unicamp http://www.fec.unicamp.br/~saneamentorural/index.php/publicacoes/livro/

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Jardim Agroecológico

O Jardim Agroecológico é orgânico, regenerativo, sem venenos ou insumos químicos. Considera o ser humano parte integrante da natureza e segue os princípios da permacultura e agroecologia: cuidar da terra, cuidar das pessoas, compartilhar saberes e colheitas, cuidar do futuro.

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10º – Use e valorize a diversidade

O que acontece quando acaba a água na sua casa? Você fica sem, certo? Quando aplicamos direitinho os princípios do planejamento permacultural, a resposta é outra. Sem a água da rua, usaremos a água da chuva. O permacultor quando planeja a sua morada pensa sempre nisso: todos os recursos importantes da casa precisam ter pelo menos duas fontes diferentes. Se você tem uma fonte só e ela acaba, você fica sem. Se você tem pelo menos duas, tem um plano B.

Outro exemplo são as fontes de energia elétrica: não adianta ter só um sistema fotovoltáico e não ter um plano B. Três dias nublados consecutivos podem acabar com a sua autonomia. Será que não vale a pena então termos uma ligação com a concessionária para emergências? Uma mini turbina eólica? Passa um rio na propriedade? Além do sistema solar, será que não vale a pena termos também uma mini hidrelétrica?

 

Produção de alimentos

É por isso que monocultura não tem nada a ver com a permacultura. A gente gosta é dos sistemas agroflorestais: um monte de plantas juntas ocupando o mesmo espaço, exatamente como na floresta. Em cada momento do ano, alguma coisa diferente está frutificando. Em consórcios como a milpa (milho, feijão e abóbora) o milho serve de suporte para o feijão subir, que por sua vez libera nitrogênio que a abóbora, forrageira, que vai deixar o solo coberto e úmido para as outras, adora!

Sim, agrofloresteiros experientes vão usar muito mais de 3 plantas em seus canteiros. A observação dos ciclos naturais vai permitir que o agrofloresteiro misture dezenas de plantas no seu canteiro, atraindo uma biodiversidade imensa de insetos, pássaros e outros animais que vão dispersar sementes pela área toda, em troca de uma parte da produção.

Agrofloresta fonte: agroecologia.org.br

Não é uma beleza, uma biodiversidade imensa se beneficiando de um plantio? Uma biodiversidade imensa se beneficiando do seu açude que é apenas um dos seus sistemas de amarzenamento de águas? É a diversidade que garante a resiliência dos sistemas. Quem coloca todos os ovos numa cesta só, quando leva um tombo perde tudo.

 

Já conhece os outros princípios de planejamento permacultural?

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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9º – Use soluções pequenas e lentas

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando (projetando).

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6º – Não produza desperdícios

Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

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9º – Use soluções pequenas e lentas

Recém formado no meu PDC, queria emplementar todos os sistemas que aprendi no curso em minha casa. Já tinha cisternas e composteiras em casa, mas queria tudo: instalar um biodigestor, o aquecimento solar, a leira de compostagem para as folhas do quintal, o telhado verde, tratamento de águas cinzas, ampliar a área da horta, estava ávido por mudar tudo de uma vez.

Acontece que cada sistema tem necessidades específicas, que você só entende, a partir do momento em que começa a usar. E a gente leva um tempo para se adaptar. Erramos no processo e tudo isso faz parte do nosso aprendizado. Como não tinha dinheiro para obras, comecei as ações em casa produzindo a famosa enzima cítrica.

Não queria investir no açúcar mascavo, então fiz várias levas com açúcar branco. Obviamente não fermentou tão bem quanto as primeiras com o ingrediente da receita original. Buscando outras formas de economizar, tentei usar rapadura. Também não fermentou tão bem. Cada teste desses levou meses para me oferecer um resultado. Depois de um ano de práticas, teimando contra a receita original, afim de economizar dinheiro entendi que o negócio não era encontrar um ingrediente mais barato para a minha receita e sim um fornecedor mais barato para o ingrediente com a qualidade adequada.

Ao invés de instalar sistemas novos, decidimos mudar hábitos que não requerem reforma: substituímos as buchas sintéticas por buchas vegetais. Já havíamos substituído os produtos de limpeza pelas enzimas (que levaram um ano para ficarem realmente boas), as vassouras de plástico pelas de palha e então chegamos nas buchas. Um passo por vez, com tempo para nos adaptarmos.

Cinco anos depois de formado, com todos os aprendizados de todos os sistemas instalados em casa começamos a nossa produção de alimentos no sistema de aquaponia. Se estivéssemos aprendendo tudo ao mesmo tempo, não conseguiríamos dar a devida atenção ao processo o que poderia custar a vida dos peixes.

Um sistema por vez, um aprendizado por vez. Passos pequenos e lentos garantem que você consiga fazer todas as mudanças desejadas na sua vida de forma orgânica, consistente, sustentável. 

Observando os padrões no seu espaço, o que você encontra? Eles te inpiram de alguma maneira? Poderia algum deles se transformar numa intervenção no seu lugar? 

Bom trabalho de observação, até o próximo princípio de planejamento permacultural! 

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Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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7º – Projete dos padrões aos detalhes

Este princípio nos convida a observarmos o nosso espaço de fora para dentro. Primeiro vamos olhar para o macro, para o local onde estamos inseridos, o bioma, os ciclos, as características que pertencem à região como um todo para a partir de então, olharmos para as especificidades da terra para qual estamos planejando.

As vezes as árvores nos impedem de ver a floresta.

Sobre os padrões

Se você parar para observar com cuidado, vai perceber que a natureza está cheia de padrões. E atentando-se a eles, perceberás que linha reta é coisa rara na natureza. Perdoem-me os terraplanistas, mas nem no horizonte temos uma linha reta. Repare no desenho dos rios, das folhas, das árvores, das montanhas, sempre sinuosos, muitas vezes espiralados, ou circulares. 

Vamos tomar como exemplo o nosso famoso Rio Pinheiros, aqui em São Paulo: no seu trajeto original, nosso rio era cheio de curvas, irrigava a maior área possível e todo o seu entorno. Quanto mais longo o seu percurso, maior a área que um rio consegue hidratar.  Retificado, o rio percorre o caminho mais curto possível. Mas esse não é o desejo das águas, é o desejo dos automóveis.

Acontece que não há obra de engenharia capaz de conter os desejos d’água: durante o período mais pesado das chuvas nós teremos inundações. As águas querem área de várzea, inundar as planícies distribuindo os nutrientes que carregam, levando a vida mais longe. 

Olhando de fora, um design apropriado para o urbanismo paulistano incluiria um enorme parque linear ao longo dos nossos rios, permitindo à população gozar do contato com as águas e com o verde durante o outono, inverno e primavera e no verão, nosso parque seria inundado, como acontece todos os anos com as áreas de várzea. Um design apropriado não luta contra a natureza, a observa, compreende e propõe interações que aproveitam as suas características cíclicas, os seus padrões que, queiramos ou não, se repetirão a cada repetição do ciclo.

 

 

Parque Linear Fiat Lux. Desenho de Eduardo Pizarro

Observando os padrões no seu espaço, o que você encontra? Eles te inpiram de alguma maneira? Poderia algum deles se transformar numa intervenção no seu lugar? 

Bom trabalho de observação, até o próximo princípio de planejamento permacultural! 

10º – Use e valorize a diversidade

Quem tem pressa, além de comer cru, dá um monte de mancada nos seus afazeres, não é mesmo? O nono princípio do planejamento permacultural reforça que os sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.

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Quando a gente começa a fazer permacultura, passamos a perceber que tudo pode ser encarado como recurso. Com esse novo olhar, começamos a buscar maneiras de usar e reusar tudo, às últimas consequências.

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Observar e Interagir: relatos de uma paulistana em êxodo urbano

“Não existimos por nós mesmos. Só existimos realmente porque fazemos existirem outras coisas”,
David Lapoujade, As Existências Mínimas.

Sou paulistana, nascida e criada na capital. Meu contato com os movimentos de agrofloresta, bioconstrução e horta urbana levaram-me a estudar permacultura com o Coletivo PermaSampa. Sentia desejo de começar a mergulhar nessa outra vida, ao mesmo tempo em que a própria vida foi me conduzindo para fora da cidade. Calhou de eu ter me mudado para São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, pouco antes de estourar a pandemia. O projeto era ativar a “Casa do Arco”, o conceito de um espaço aberto para residências artísticas e vivências envolvendo agroecologia, permacultura, um agregado de experiências e práticas para pessoas que, como eu, também estão em transição. Veio, contudo, a quarentena impondo o isolamento e entendi que, antes de qualquer projeto, era preciso primeiro incubar essa minha nova vida. Assim que vou contar um pouco sobre como cheguei até aqui, pois não vejo essa mudança como uma ‘decisão’, mas como a constelação de uma série de linhas que me conduziram.

Se vale uma dica para quem agora começa a pensar em fazer a transição para o campo, eu diria que a primeira coisa é introduzir algumas mudanças de hábitos antes mesmo de sair da cidade: adotar a compostagem, começar uma pequena hortinha, observar sua produção de resíduos, estudar o impacto ambiental de seu modo de consumo. Considerar que você pode descobrir uma enorme redução de seus gastos vivendo num ambiente onde poder dormir ouvindo o som do rio, colher seu alimento ou sentir a respiração das montanhas era tudo o que você precisava para sentir-se preenchidx. E que, pelo fato se sentir privadx dessas coisas na cidade, acabava tendo que ir a restaurantes, bares, lojas ou assinar NetFlix. Vivo essa coisa linda de roça que são os presentes dos vizinhos. Ganho caldo de cana, mandioca, limões, abacates, mudas, hortaliças, bananas… Pego leite da vaquinha do meu vizinho para produzir meu kefir. Compro queijo de cabra de uma criadora a 2km daqui. Trocamos coisas, formando vínculos, partilhamos da comunidade. 

Quando ainda não se sabe para onde ir tampouco qual é o projeto, é importante permitir-se ficar um pouco à deriva. “Perder-se também é caminho”, dizia Clarice Lispector. Circular por aí, visitando cidades, fazendas, sítios, plantações. Participar de mutirões nesses lugares, ir pondo o pé nesse chão para sentir os diversos tipos de contextos. Fazer-se algumas perguntas preliminares: em que clima me vejo vivendo? Gosto de baixa ou alta umidade? Desejo estar no alto das montanhas, num vale ou numa planície? Plantar para minha subsistência ou adquirir terras para um plantio comercial? Não saberemos responder a essas perguntas de pronto, mas elas precisam ser formuladas a fim de orientar nosso espírito para ir ao encontro do lugar, afinal um novo projeto de vida não se organiza sem algumas bússolas. Por isso gosto do que estou fazendo: aluguei uma casa em meio à comunidade local com um jardim gostoso que me permite ensaiar e esboçar essa transformação das narrativas. Vivo só e aqui me sinto segura com vizinhos mais ou menos visíveis desde a minha casa. Porque são tantas as demandas de nosso espírito e tantas as coisas que ainda não sabemos sobre nós mesmos, que nem sempre é possível ter tudo traçado de antemão. Pode acontecer de as metas iniciais se revelarem apenas metáforas, que sem dúvida foram necessárias para nos impulsionar numa direção.

Os sinais de que era aqui o meu destino foram tão claros que não houve como não deixar o rio me levar. Enquanto muitas pessoas passam mal na estrada sinuosa que liga São José dos Campos a SFX, eu por minha vez vivi momentos memoráveis de profundos insights a caminho daqui. Então, amar a estrada que me trazia para cá e sempre agradecer às montanhas por terem me permitido retornar era meu ritual de chegada. Desde sempre soube que vinha para viver uma metamorfose. Aliás, na minha opinião, não estamos aqui para ‘encontrar a felicidade’, mas sim para aprender a dançar com a vida. E, se  isso decorre em felicidade, é porque creio firmemente na ideia de que só há verdadeira realização de si quando reconquistamos o amor pelas ações mais fundamentais do viver em consonância com o ecossistema. 

Nesse sentido, as ferramentas, as técnicas e os conceitos de que fazemos uso para aprender um modo mais abundante, ético e sustentável de existir ganham um estatuto mágico. São os ‘instrumentos de poder’ que pavimentam os caminhos de cura – nossa e da Terra. Tenho refletido muito sobre o sentido mais profundo – e pouco glamuroso – da palavra ‘regenerar’. É sobre depararmo-nos com hábitos, comportamentos e perspectivas que, não obstante todo o repertório de conhecimentos que possamos ter adquirido, não conseguimos transformar num workshop ou curso de formação. E a pandemia veio me fazer parar tudo pra praticar o primeiro princípio que aprendemos em Permacultura: observar e interagir. Significa dar-se o tempo necessário para ser afetado e modificado inteiramente pela paisagem. Desde que vivo aqui, venho aprendendo que ‘observar e interagir’ é um processo febril e intenso. Todos os dias são beija-flores, aranhas, ventos, cachorros, gatos e seres invisíveis que entram e saem pelas minhas portas e janelas impondo-me o desafio de me relacionar com essas presenças, pois de fato é preciso morrer para renascer em Gaya. 

Minha estratégia (e isso é inteiramente pessoal) foi adotar a preguiça como método. Montei meus canteiros usando palhada da braquiária roçada de um querido meu vizinho. Arrumei um fornecedor de esterco. Desço de vez em quando até a floresta pra encher sacos de coisas caídas no chão para cobrir e nutrir a horta. Fico circulando os restos da cozinha por diferentes setores do jardim, pois uma vez completado o processo de compostagem tem-se já um canto adubado para o plantio (além das próprias mudas que brotam dali). Vou preguiçosamente abrindo minhas nadadeiras nessa nova atmosfera, procurando atuar menos e escutar mais. Tenho sentido os ventos e o canto dos pássaros com uma intensidade por vezes até incômoda. É que tanta beleza me exige novas competências de absorção e então me dou conta de que havia passado a vida inteira a me privar de tudo isso apenas para hoje poder me sentir constantemente arrebatada. Embora isso soe poético, não é pouca coisa para o corpo assimilar. Portanto, ações pequenas e lentas.

E me parece que se essa não for a tarefa inicial, se não for aprender o idioma das águas e das árvores, familiarizarmo-nos com as micro e macrobiotas, a multiplicidade das presenças até de fato começar a nos sentir parte dessa ciranda, então não vejo como poderemos prosseguir enquanto humanidade. A transição que nos é pedida não se resume a montar uma composteira, uma agrofloresta ou um banheiro ecológico: por trás de tudo isso, o que estamos preparando é um salto em direção a uma nova ontologia. E o projeto de descolonização de si precisa começar a germinar na cidade. Minha amiga Tânia Campos, idealizadora da Casa.Planta, adota práticas permaculturais em sua casa na Vila Madalena e propõe-nos uma pergunta-provocação: “O que pode uma casa?”. É com esse tipo de pergunta que vamos nos endereçando para fora da vida urbana, pois o que queremos é restaurar os saberes ancestrais e reencantar as tarefas simples da vida. Devolver a alma ao mundo e imantar os gestos mais triviais… acordar ao amanhecer, cuidar das plantas, alimentar-se, amar, produzir coisas bonitas, contemplar as belezas, as mudanças na paisagem, partilhar o convívio, descansar. É para isso que estamos aqui! 

Da Vinci dizia que o amor nasce do profundo conhecimento que cultivamos do objeto amado. Quero acreditar que a missão do Covid, como já foi dito tantas vezes, é nos despertar do estado de anestesiamento em que temos vivido como coletividade humana, para nos empurrar em direção a um modo de existir mais fecundo e vital. Vivendo há menos de um ano longe das cidades e perto do rio, venho me curando de minhas atrofias e fragilidades à medida em que descubro novas forças e capacidades nos novos fazeres que se apresentam nesse ambiente. Nada é tão compensador e curativo quanto testemunhar a semente que suas mãos plantaram e adubaram desde seu germinar até a colheita de seus frutos, flores ou folhas. Acompanhar e aprender sobre os ciclos, tornar-se parte deles, dançar com a existência. De modo que estou diariamente me versando nos modos e desígnios da floresta a fim de que ela um dia me torne uma melhor designer de mim-no-mundo. Futuramente, comprar um sítio e iniciar uma plantação de chá e ervas para infusão. Sigo por enquanto nesse devir-borboleta… constelando as composições, aceitando os riscos, maravilhando-me com os embriões de vida, esboçando alguns vôos e sentindo profunda alegria. Sinto não ter coisas mais objetivas a dizer, mas nesse momento tudo o que sou é travessia.

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Verdade seja dita: é muito sedutora a ideia de deduzir o conceito de agroecologia apenas separando a palavra em “partes” e analisando-as com base no que geralmente somos ensinados sobre o que é “agro/agricultura” e sobre o que é “ecologia“.

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Entenda o que é um Vermifiltro e como as minhocas podem nos ajudar a resolver o problema do saneamento básico no Brasil.

Esquema de um Vermifiltro Fonte Tonetti et al 2018

O vermifiltro (ou filtro biolítico) é um sistema de saneamento super simples que funciona basicamente como um minhocário que recebe as águas da privada da casa. Conforme você pode ver no desenho feito pelo pesquisador da UNICAMP Adriano Tonetti, a descarga da água da privada entra por cima no filtro, onde moram as minhocas. Os resíduos sólidos, ou seja, o cocô, vai virar janta de minhocas. Os líquidos vão escorrer pelo sistema que possui camadas de palha ou serragem e pedras antes de sair por um “ralo” no fundo.

A idéia parece estranha numa primeira leitura mas acreditem, esse filtro atua como 3 sistemas de tratamento integrados em um só:

  1. ele remove sólidos (cocô) cumprindo a função da fossa séptica
  2. diminui a cor e turbidez das águas atuando como um filtro
  3. o xixi das minhocas mata as bactérias da água, atuando como um desinfectante

Bom, bonito e barato.

O mais incrível é que um sistema desses pode ser construído fazendo reúso de uma bombona de transporte de alimento (como as que utilizamos para fazer as famosas minicisternas), mais umas poucas peças de tubulação de esgoto, ou seja, é um sistema de saneamento de esgoto super acessível e simples, podendo portanto ser replicável em diversas comunidades mundão adentro. No Chile por exemplo, a tecnologia já é super replicada e começou a ser utilizada na descentralização do tratamento do esgoto desde 1998.

Manejo periódico

Obviamente nem tudo são flores, principalmente quando falamos de esgoto: o sistema requer manejo a cada aproximadamente 6 meses. Se poucas pessoas utilizarem o sistema e ele for bem dimensionado, o manejo pode ser anual. Simples, o manejo consiste em adicionar nova palha ao sistema. É isso mesmo, não é necessário remover o humus (cocô das minhocas) de dentro do vermifiltro. A água da descarga derrete esse humus que sai do sistema como efluente líquido.

Água sanitária ou desinfectantes químicos? hmmmm…

Outro ponto importante ao qual é importante nos atentarmos é que a partir do momento em que temos minhocas no nosso sistema de tratamento de esgoto, não podemos mais usar água sanitária e demais produtos industrializados na limpeza do nosso vaso sanitário. Ou seja, o usuário desse sistema precisa aderir a uma mudança de hábitos e passar a utilizar produtos naturais para faxinar o seu banheiro. Esses produtos podem ser feitos em casa através da fermentação da casca de frutas cítricas que sobraram da cozinha como ensina a receita da enzima do lixo.

Veja como foi a instalação de um dos 15 vermifiltros instalados em São Francisco Xavier pelo projeto Protegendo as Águas, orientados pela Fluxus.

É preciso separar as águas.

Outro detalhe para nos atentarmos é o fato desse filtro receber exclusivamente a água das descargas. Ou seja, caso o esgoto da sua casa esteja todo unificado – águas do banho, cozinha, lavanderia e do vaso sanitário juntas – será necessário primeiro separá-las antes de implementar o sistema para o tratamento do seu esgoto. Lembrando que para cada qualidade de águas usadas em casa existe um tratamento específico que pode ser adotado a fim de conseguirmos reutilizá-las dentro de casa ou infiltrá-las no solo, no seu belo pomar,  por exemplo…

Fatores limitantes.

Se por acaso o lençol freático do seu terreno for bem alto, tipo cavou achou água, então o vermifiltro não é uma tecnologia indicada para a sua situação. Se o nível do lençol tiver mais de um metro e meio de profundidade então está tudo certo!

Uma última coisa importante para nos atentarmos é que para o sistema funcionar da forma mais simples, precisamos que o terreno possua um desnível, uma vez que o líquido sai por baixo do reservatório. Se o terreno for plano é necessária a utilização de uma bomba, o que deixa o sistema um pouco mais complexo e pode ser, em alguns casos, um fator limitante à sua utilização. A situação ideal para o uso dessa tecnologia requer um quintal com declividade, muito mais fácil portanto de ser replicável em zonas rurais.

Caso você precise de informações técnicas sobre o assunto, dê uma olhada na revista DAE no. 220 a partir da página 128. Bons estudos!

Como fazer um vermifiltro?

Ah sim, se você é da mão na massa e quer aprender a fazer o seu próprio sistema, a nossa amiga Karin Hanzi do Epicentro Dalva ensina o passo a passo de como construir um vermifiltro no vídeo aqui abaixo. Divirta-se!

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4º – Pratique a autorregulação e aceite conselhos (feedbacks)

O quarto princípio do planejamento permacultural nos faz um convite: ouçamos as respostas das nossas ações. Quando chuvas intensas e devastadoras passam a ser comuns na “terra da garoa”, a natureza está nos dando um recado. O super adensamento urbano e a devastação das florestas geram efeitos colaterais. Quando somos capazes de ler as respostas naturais, estamos prontos para modificar nossa forma de atuar no território para corrigir algum determinado desiquilíbrio ou intensificar alguma ação que ao longo do tempo vem se mostrando benéfica para nós e para o meio ambiente.

Mesmo tendo observado com atenção o ambiente antes de começarmos a agir, todo planejamento possuirá fragilidades que só vão se revelar ao longo do tempo. É portanto fundamental estarmos abertos e dispostos a mudar os nossos planos a partir do retorno que o tempo nos oferece.

Quanto maior a biodiversidade, maior a dinâmica da vida no lugar, mais fácil se dará a autoregulação.

A natureza não dá só feedbacks negativos. Quando determinadas espécies crescem lindas e maravilhosas, fortes, sadias, com frutos vistosos e saborosos você está recebendo um feedback positivo. A espécie gostou do local, da humidade, da insolação, das características do solo, das plantas companheiras, enfim, esse aprendizado servirá para plantios futuros.

Você já sabe: a taioba adora ficar por perto das bananeiras. O milho, o feijão e a abóbora formam um trio ultra poderoso. Foi através da observação do sucesso entre interação dessas espécies que chegamos a esses saberes que os agricultores vem sistematizando ao longo do tempo e hoje, graças a essa observação dos feedbacks que a natureza nos dá, existem vários consórcios de plantas conhecidos, que podem ser replicados mundão afora. Conhecimento adquirido através da observação e da leitura das respostas da natureza.

Ouçamos o que tem a dizer Julhiana Costal do Arboreser:

OUTROS CONCEITOS

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3º – obtenha rendimento

Horta em mandala do acampamento Marielle Vive. Plantas de ciclo rápido geram rendimento em até 2 meses. Foto: MST.

O terceiro princípio do planejamento permacultural é “obtenha rendimento”. Será que o que David Holmgren estava querendo dizer é que o nosso trabalho deve gerar dinheiro? Essa é sem dúvida uma forma de rendimento. Mas podemos ampliar o sentido da palavra, como veremos à seguir.

Entendemos por rendimento todos os recursos gerados no local que possam suprir as necessidades dos seus habitantes. Para quem vive na zona rural, o dinheiro pode não ser tão importante quanto para quem vive na cidade. Uma galinha, alguns kilos de batata doce ou manivas daquela mandioca maravilhosa podem ser excelentes moedas de troca com os seus vizinhos.

 “desenhar sistemas e organizar nossas vidas de modo a obtermos rendimento através de meios que otimizem a potência de trabalho útil de tudo o que fazemos”

Neste princípio “obtenha rendimento” Holmgren nos convida a incluirmos no nosso planejamento, além de investimentos de longo prazo como o plantio de árvores que poderão ser colhidas daqui a 7 anos, ações que nos gerem um retorno rápido.

Produza comida, madeira, água, adubo, energia elétrica, aproveite portanto a energia do seu trabalho para produzir recursos capazes de atender as suas e as demandas dos demais seres vivos que compartilham a morada contigo e que dependem do seu esforço ou obtem melhor qualidade de vida a partir do seu planejamento.

Ouça a Julhiana Costal, falando do seu jardim na Zona Norte de São Paulo sobre como obter rendimento a curto prazo na realidade urbana.

OUTROS CONCEITOS

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2º – Capte e armazene energia

Na Alemanha, essa casa aproveita o telhado para produzir energia elétrica, aquecer as águas e iluminar seu porão. Foto fonte: GreenMatch.co.uk

Um dos trabalhos mais importantes do permacultor é identificar os resursos acessíveis em seu local de atuação. A água da chuva, por exemplo acessível durante todo o verão na região sudeste do Brasil desaparece durante o período do inverno. Depois de observar e compreender este fenômeno, o planejador provavelmente desenhará uma cisterna para a captação da água da chuva.

Uma vez captada e armazenada numa cisterna, a água da chuva, antes acessível somente durante o período de chuvas, passa agora a estar disponível para o uso durante o período de secas (quando devidamente dimensionada, claro). A permacultura pretende portanto estimular a produção de energia in loco, em pequena escala, tornando menos necessária a nossa dependência da produção industrial de energia, que gera impactos imensos ao meio ambiente.

Através da sua intervenção, o permacultor transforma recursos acessíveis em recursos disponíveis.

No jardim agroecológico da permacultora Andrea Pesek, a cisterna de 3 mil litros a permite ter acesso à água para a rega durante quase todos os meses de estiagem. Quando a cisterna seca, ela passa a utilizar para a rega a água do lago de chuva, proporcionando autonomia hídrica durante o ano todo. Perceba, a casa possui mais de uma forma de armazenamento para o recurso água de chuva, a cisterna e o lago. E o planejamento permacultural da casa dela não pára por aí: as águas cinzas produzidas na cozinha alimentam um círculo de bananeiras que armazena as águas nas plantas e transforma essa energia também em frutos.

Este mesmo princípio se aplica a todos os recursos acessíveis no local. Tomemos agora como exemplo a energia solar: através da implementação de um sistema fotovoltáico, é possível armazenar a energia do sol na forma de energia elétrica. Já através de um sistema de aquecimento, é possível armazenar essa energia em forma de calor, água aquecida.

O permacultor Edison Urbano ensina no seu site Sempre Sustentável uma série de técnicas para a captação e armazenamento de energia, todas de baixo custo, usando na maioria das vezes como matéria prima bombonas, garrafas PET e outros materiais reutilizados. Confira e tenha boas idéias para o seu planejamento permacultural!

Outros pontos de vista

A permacultora Julhiana Costal traz para a pauta o beneficiamento de alimentos. Através da produção de chucrutes ou outros fermentados, é possível se estocar energia em forma de conservas, possibilitando extender o seu consumo por um período prolongado. Confira essa e outras idéias no vídeo:

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1º – Observe e interaja

01- Observe e Interaja - princípios da permacultura

Antes de arregaçar as mangas, pegar a enxada e sair arrepiando o terreno, pare e observe o ambiente com o qual pretende interagir. Quando conhecemos o espaço, o bioma, o clima de um lugar, estamos prontos para tomar a primeira atitude que a permacultura nos ensina: planejar. Quem procurou por cursos de permacultura encontrou os populares PDCs. A sigla em inglês resume Permaculture Design Course. Em português quer dizer Curso de Desenho (ou Planejamento) Permacultural.

Não é à toa que o primeiro princípio do planejamento seja a observação. É impossível se realizar um bom planejamento permacultural sem antes conhecer muitíssimo bem a dinâmica natural, os ciclos do lugar. Qual o clima do seu espaço? Faz frio o ano todo? Será então que aquela mangueira que você ganhou do seu amigo vai bem por aí? Aquele seu desejo de plantar palmito, aí no alto das montanhas, será uma boa ideia? Quais as plantas mais comuns por aí, você já as conhece? E os pássaros? Qual o regime de chuvas da região? As nascentes diminuem muito no período de estiagem? Será inteligente pensar em cavar açudes? Essas e muitas outras respostas surgem da observação. Os designers mais experientes dizem que é importante observar um local por pelo menos um ano antes de iniciar o planejamento, ou seja, ter vivido pelo menos uma vez cada uma das 4 estações.

Princípio aplicado a uma residência na cidade

Já no meio urbano, tomemos como exemplo uma família que acaba de se mudar para uma casa e pretende fazer uma horta no pequeno quintal: com muros por todos os lados e sombreada também pela enorme casa de dois andares, o frio quintal recebe pouco tempo de sol. Mudaram-se no verão e percebem que o corredor lateral é o local com maior incidência solar. Quebram o piso de concreto de toda a lateral da casa, plantam de tudo na época de chuvas e tem uma primeira colheita satisfatória. Alguns meses depois surge o primeiro problema: o sol do inverno não chega até o chão e todas as plantas se entristecem. Mas as paredes do muro ainda recebem sol, aparentemente o ano todo. Será que um sistema de hidroponia não seria mais apropriado para a produção de alimentos nesse corredor? Ou será que a laje da garagem (onde eles nunca subiram para observar) não seria o local mais apropriado para se produzir alimentos nessa casa?

Outra possibilidade para quem vive nos centros urbanos são as praças públicas, os linhões das concessionárias de energia e de água, ou até terrenos baldios abandonados. Existem diversas possibilidades “marginais” aguardando a intervenção de pequenos grupos de vizinhos interessados em se reconectar com a terra. Observando o seu bairro, você descobrirá outras possibilidades de locais e também grupos de pessoas às quais associar-se pode ser uma boa pedida. Mais uma vez, observemos.

Princípio aplicado ao urbanismo

 

Quantas São Paulos vemos nessa foto? Observar requer a escuta de diversos pontos de vista para o planejamento em situações de super adensamento populacional.

O recurso natural mais abundante numa cidade grande é o recurso humano, as pessoas. Portanto “observar” neste meio significa não somente olhar para a movimentação social, mas ouvir as pessoas e entender através da escuta as suas necessidades, crenças, hábitos culturais para a partir de então pensar num planejamento para este grupo, neste local específico.

Cada comunidade possui características geográficas, políticas, sociais e culturais específicas e por esse motivo a observação caso a caso se faz imprescindível. Um bairro habitado por uma população com grande concentração de renda possui características específicas. A poucos metros dali, quiçá distanciados pela presença de um muro, temos outra população com renda e hábitos culturais muito diferentes. Se faz super necessária a observação de ambos os lados para poder se delinear um projeto de design capaz de integrar ao invés de segregar as pessoas. Certamente as bordas, no caso esse muro, seria um elemento importantíssimo no nosso planejamento.

Outros pontos de vista

Ouçamos agora a experiente Julhiana Costal, integrante do coletivo Arboreser, que há muitos anos pratica a permacultura urbana e produz alimentos na sua casa na Zona Norte de São Paulo.

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