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TEvap: tratamento de esgoto no quintal

Conheça o TEvap, tecnologia que trata o seu esgoto no quintal com segurança e de quebra ainda cria um jardim de bananeiras produtivo.

TEvap é sigla de Tanque de Evapotranspiração, também conhecido como BET – Bacia de Evapotranspiração.

É uma tecnologia baseada na Permacultura que serve para tratar o esgoto do vaso sanitário e transformar em bananas. Em resumo: usamos a água e os nutrientes do esgoto para alimentar um canteiro de bananeiras no próprio quintal, no campo ou na cidade.

 

O esgoto do vaso sanitário entra pelo túnel de pneus e extravasa pela camada de entulho cerâmico – que funciona como um filtro biológico – onde sofre a ação de bactérias anaeróbias que digerem a matéria orgânica, liberando água e minerais, além de um pouco de gás metano, que não tem cheiro.

A água e os minerais são absorvidos pelas raízes das plantas (principalmente bananeiras). A água evapora pelas folhas e pelo solo e os minerais entram na composição da biomassa das plantas.

Se bem dimensionado para as condições e contexto locais, ele não tem saída de esgoto, funcionando como destinação final.

De quanto espaço eu preciso?

A evapotranspiração ocorre em função da área, que deve ser calculada a partir da base de 2 m2 por pessoa que for usar o sistema. Por exemplo: Uma família de 4 pessoas precisa de um espaço de 8m2 para instalar o TEvap, mais um espaço para circulação ao redor dele. A profundidade é sempre a mesma, em qualquer caso: entre 1 m e 1,20 m.

Mas não vai contaminar o solo e a água?

Para evitar a contaminação do solo e da água e também para a criação de um ambiente anaeróbio no tanque, ele precisa ser cuidadosamente impermeabilizado, tipo uma piscina, só que sem ralo. Pode ser construído em alvenaria, ferro-cimento ou com colocação de lonas, que é o melhor custo-benefício.

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Passo-a-passo:

    • Escavação da vala nas dimensões indicadas

    • Colocação de uma manta geotêxtil (bidim) entre o solo e a lona plástica (para proteger a lona)

    • 2 ou mais camadas de lona plástica. Devem ficar bem folgadas, pra não esticar na hora de colocar o entulho.

    • Túnel de pneus: é uma câmara de recepção do esgoto, para acomodar os sólidos e o sistema não entupir. Podem ser utilizados outros materiais além de pneus.

    • Camada de entulho cerâmico, até a altura dos pneus (50 – 60 cm) 

    •  Manta geotêxtil (Bidim) acima da camada de entulho, também bem folgada, pra não criar pontos de tensão. Deve ficar bem colocada nas laterais e pode ser sobreposta nas emendas sem necessidade de cola.

    • Camada de terra. 

      • Pode ser devolvida parte da terra retirada na escavação, elevando a superfície do solo no centro do tanque, com uma declividade para as laterais, de forma que a terra passe por cima do topo das paredes do tanque.

      • Quando o preenchimento com terra chegar ao nível original do solo, o excedente da lona deve ser enrolado junto à parede ou cortado, de forma que não seja uma barreira para a infiltração da água ou desenvolvimento de raízes.

    • Leito de plantio 

      • Depois do preenchimento com terra já estar no formato final, uma camada de mais 5 cm de terra bem adubada com materiais orgânicos é colocada para finalização.

São plantadas cerca de 1 bananeira para cada 2 m2 e outras plantas ornamentais e comestíveis, desde que não tenham raízes pivotantes.

Referências para estudo

Dissertação Adriana Galbiati

http://www.fazenda.paginas.ufsc.br/files/2017/02/2009-GALBIATTI-Tratamentode-aguas-negras-por-tanque-de-evapotranspiracao.pdf

Catalosan – FUNASA

http://www.funasa.gov.br/biblioteca-eletronica/publicacoes/estudos-e-pesquisas1/-/asset_publisher/qGiy9skHw4ar/content/catalosan-catalogo-de-solucoes-sustentaveis-de-saneamento

Saneamento Rural – Unicamp http://www.fec.unicamp.br/~saneamentorural/index.php/publicacoes/livro/

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Entenda o que é um Vermifiltro e como as minhocas podem nos ajudar a resolver o problema do saneamento básico no Brasil.

Esquema de um Vermifiltro Fonte Tonetti et al 2018

O vermifiltro (ou filtro biolítico) é um sistema de saneamento super simples que funciona basicamente como um minhocário que recebe as águas da privada da casa. Conforme você pode ver no desenho feito pelo pesquisador da UNICAMP Adriano Tonetti, a descarga da água da privada entra por cima no filtro, onde moram as minhocas. Os resíduos sólidos, ou seja, o cocô, vai virar janta de minhocas. Os líquidos vão escorrer pelo sistema que possui camadas de palha ou serragem e pedras antes de sair por um “ralo” no fundo.

A idéia parece estranha numa primeira leitura mas acreditem, esse filtro atua como 3 sistemas de tratamento integrados em um só:

  1. ele remove sólidos (cocô) cumprindo a função da fossa séptica
  2. diminui a cor e turbidez das águas atuando como um filtro
  3. o xixi das minhocas mata as bactérias da água, atuando como um desinfectante

Bom, bonito e barato.

O mais incrível é que um sistema desses pode ser construído fazendo reúso de uma bombona de transporte de alimento (como as que utilizamos para fazer as famosas minicisternas), mais umas poucas peças de tubulação de esgoto, ou seja, é um sistema de saneamento de esgoto super acessível e simples, podendo portanto ser replicável em diversas comunidades mundão adentro. No Chile por exemplo, a tecnologia já é super replicada e começou a ser utilizada na descentralização do tratamento do esgoto desde 1998.

Manejo periódico

Obviamente nem tudo são flores, principalmente quando falamos de esgoto: o sistema requer manejo a cada aproximadamente 6 meses. Se poucas pessoas utilizarem o sistema e ele for bem dimensionado, o manejo pode ser anual. Simples, o manejo consiste em adicionar nova palha ao sistema. É isso mesmo, não é necessário remover o humus (cocô das minhocas) de dentro do vermifiltro. A água da descarga derrete esse humus que sai do sistema como efluente líquido.

Água sanitária ou desinfectantes químicos? hmmmm…

Outro ponto importante ao qual é importante nos atentarmos é que a partir do momento em que temos minhocas no nosso sistema de tratamento de esgoto, não podemos mais usar água sanitária e demais produtos industrializados na limpeza do nosso vaso sanitário. Ou seja, o usuário desse sistema precisa aderir a uma mudança de hábitos e passar a utilizar produtos naturais para faxinar o seu banheiro. Esses produtos podem ser feitos em casa através da fermentação da casca de frutas cítricas que sobraram da cozinha como ensina a receita da enzima do lixo.

Veja como foi a instalação de um dos 15 vermifiltros instalados em São Francisco Xavier pelo projeto Protegendo as Águas, orientados pela Fluxus.

É preciso separar as águas.

Outro detalhe para nos atentarmos é o fato desse filtro receber exclusivamente a água das descargas. Ou seja, caso o esgoto da sua casa esteja todo unificado – águas do banho, cozinha, lavanderia e do vaso sanitário juntas – será necessário primeiro separá-las antes de implementar o sistema para o tratamento do seu esgoto. Lembrando que para cada qualidade de águas usadas em casa existe um tratamento específico que pode ser adotado a fim de conseguirmos reutilizá-las dentro de casa ou infiltrá-las no solo, no seu belo pomar,  por exemplo…

Fatores limitantes.

Se por acaso o lençol freático do seu terreno for bem alto, tipo cavou achou água, então o vermifiltro não é uma tecnologia indicada para a sua situação. Se o nível do lençol tiver mais de um metro e meio de profundidade então está tudo certo!

Uma última coisa importante para nos atentarmos é que para o sistema funcionar da forma mais simples, precisamos que o terreno possua um desnível, uma vez que o líquido sai por baixo do reservatório. Se o terreno for plano é necessária a utilização de uma bomba, o que deixa o sistema um pouco mais complexo e pode ser, em alguns casos, um fator limitante à sua utilização. A situação ideal para o uso dessa tecnologia requer um quintal com declividade, muito mais fácil portanto de ser replicável em zonas rurais.

Caso você precise de informações técnicas sobre o assunto, dê uma olhada na revista DAE no. 220 a partir da página 128. Bons estudos!

Como fazer um vermifiltro?

Ah sim, se você é da mão na massa e quer aprender a fazer o seu próprio sistema, a nossa amiga Karin Hanzi do Epicentro Dalva ensina o passo a passo de como construir um vermifiltro no vídeo aqui abaixo. Divirta-se!