Zeolina, a kombi hidrogênica de gerador novo!

ZEOLINA, A KOMBI HIDROGÊNICA

Levamos a linda kombi Zeolina para um belo trato numa oficina mecânica em Ibaté, SP: a troca do sistema de geração de hidrogênio que alimenta parcialmente seu motor.

TEXTO E FOTOS: F. Pepe Guimarães | F14 FOTOGRAFIA.com

São 8h de uma manhã de quinta feira de calor em SP. A primavera chegou há poucos dias e a massa de ar quente que toma conta da capital anuncia com veemência que provavelmente o frio não volta mais esse ano.

Saio de casa pedalando para um trajeto de 6 km até o ponto de encontro marcado com um dos Permacultores Urbanos. O trajeto é curto mas muito movimentado. Primeiro preciso descer do início ao final uma via de trânsito intenso e rápido, depois atravessar o Rio Pinheiros pela calçada de pedestres de uma das pontes que o cruza, para então acessar 2 avenidas largas até chegar na beira de uma das estradas que leva rumo ao interior.

Nosso destino é Ibaté/SP. Lá estão localizados o produtor e a oficina mecânica que vai instalar um novo sistema de geração de hidrogênio para alimentar parcialmente o motor da Zeolina, uma Kombi 2009 usada pelo Vinícius Pereira em suas incursões musicais e permaculturais Brasil afora.

Apesar do forte calor e das vias com excesso de veículos, tudo sai bem ao longo de toda a rota da pedalada. Mesmo há 19 anos andando de bicicleta pelas ruas de São Paulo, foi só recentemente que realmente aprendi que vale muito a pena investir 10 ou 15 minutinhos a mais para preparar sua mochila ou alforje (ideal até que seja na noite anterior) e para, principalmente, planejar com antecedência a rota antes de sair para um deslocamento maior ou fora da sua rotina.

Até uns 2 ou 3 anos atrás eu saía sempre na louca, atrasado, com pressa e deixava para pensar qual caminho precisaria fazer só depois de já estar na rua dando as primeiras pedaladas. Isso é terrível pois provavelmente vai te induzir a correr desnecessariamente (na velocidade e nos riscos), seja em ciclovias ou em meio aos carros. Ou no mínimo, te deixa com uma horrível sensação de ser uma barata tonta. Ou, pior ainda, com a sensação de estar preso num estado mental igual ao de muitos condutores, que dirigem apressadamente e adotando atitudes egoístas de posse do espaço viário, reclamando de tudo e de todos. Blargh !

Saindo com antecedência e/ou com a rota bem traçadinha a gente fica com muito mais margem para lidar com imprevistos: tempo para remendar um pneu furado; um engarrafamento louco que te leva a buscar uma rota alternativa; e, o mais gostoso de tudo, te permite observar e curtir melhor o caminho, pedalar no ritmo e intensidade que melhor lhe convir, olhar para os lados, cumprimentar os outros ciclistas que cruzam sua rota. Mil delícias !

Somos um grupo pequeno: apenas 3 pessoas: Vinícius, o permacultor; Thiago Henrique, videomaker; e eu, fotógrafo e curioso. Fui o primeiro a chegar. Ali no posto de combustível onde era o ponto de encontro e que ficava na beirinha do início da estrada, já sentia aquela sensação gostosa de início de viagem. Seria apenas um bate-volta, nem dá para chamar direito de viaaaagem, mas para quem vive e trabalha a maioria dos dias do ano dentro do Centro expandido, passar um único dia fora da Capital tem suas emoções especiais.

Ibaté fica a cerca de 250 km de São Paulo, um pouco a frente de São Carlos. Não chega a ser longe, mas convém sairmos logo. Tanque abastecido, bicicleta dobrada e guardada no bagageiro da Kombi, todos presentes; tudo pronto pra saída.

Sentamos os 3 no banco da frente que tem o tamanho certinho para 3 lugares. Cabemos todos, mesmo que apertadinhos. Em poucos minutos, apenas no curto trecho entre o posto e a estrada que devemos acessar, a Kombi é inesperadamente fechada algumas vezes por outros veículos. Comento com Vinícius, e ele me diz que já se acostumou e nem se apoquenta mais. Conta também que na informal hierarquia do trânsito as Kombis são consideradas, entre os condutores dos outros veículos motorizados, aqueles que “não precisa se respeitar”.

Já na estrada logo engatamos uma boa conversa. Dos 3 ali presentes, 2 não se conhecem, e para ajudar a deixar tudo no clima, o Vinícius propõe fazermos uma rápida rodada de recapitulação das nossas trajetórias pessoais e profissionais, que direta ou indiretamente nos levam a estar dentro daquela Kombi rumo a Ibaté para passar uma tarde inteira dentro de uma oficina mecânica.

Há 1 ano a Kombi Zeolina já roda com um sistema de alimentação parcial a hidrogênio. Um ano de testes na tentativa de, primeiro, entender o comportamento do motor nessa alimentação híbrida (combustíveis convencionais e hidrogênio), para então tentar mensurar as economias geradas. Essas mensurações acabam sendo ainda imprecisas, mas no feeling e no conhecimento que tem do veículo o Vinicius sabe que a economia existe.

A ideia agora é trocar esse sistema todo. Colocar um novo e diferente, para continuar testando e encontrando a melhor relação entre capacidade de geração e queima, e transformação disso em energia pro motor. Conforme nos explica o Vinícius, basicamente e em linguagem nada técnica, o sistema que será instalado (desenvolvido pela empresa H2 Pro) é composto por um conjunto de placas que dão um choque (eletrólise) numa água desmineralizada (que vem de um tanquinho que faz parte do kit), que separa os átomos de hidrogênio e de oxigênio. Um tubo adicional acoplado ao tubo de ventilação do motor lança esse hidrogênio gerado, o que potencializa a geração de energia do motor, pela combinação de queima de combustível convencional com queima de hidrogênio.

E antes que perguntemos incrédulos sobre andar dentro de uma cápsula que produz e promove a queima de hidrogênio (substância altamente inflamável e com potencial explosivo 10 vezes maior que a gasolina), Vinícius nos explica e acalma dizendo que o perigo existe somente quando se acumula e comprime o hidrogênio. E complementa explicando que nesses sistemas desenvolvidos para uso em motor de veículos, todo e absolutamente todo hidrogênio gerado é instantaneamente consumido na queima do motor, não gerando qualquer acúmulo, resquício ou descarte de excessos.

Chegamos ao destino na hora do almoço e nos encantamos com a calmaria do rush do meio dia na cidade. Pouquíssimos carros circulando, ruas pacatas, belas casinhas e uma praça central linda repleta de sombra feita por imensas árvores. Almoçamos um PF de comida caseira e rumamos para a oficina Autocenter São José.

A instalação do novo sistema iria demorar algumas horas e quanto antes começasse, melhor.

A primeira meia hora foi de verificações no motor da Kombi, identificação de componentes, localização dos melhores espaços e possibilidades de ligações, dúvidas sendo perguntadas e respondidas por ambas as partes. Mas imagino que estavam todos com muita vontade de colocar a mão na massa, pois tão logo se esgotaram todas as questões o trabalho começou a todo vapor.

Junto ao Mário, o mecânico responsável, estava o Cristiano da H2 Pro, a empresa fabricante do gerador de hidrogênio. Eles dois juntos estavam a cargo de toda a instalação mecânica, e o Vinícius acompanhava tudo ali do lado, meticulosamente.

Eu acompanho de perto, mas mantendo a distância necessária para não atrapalhar o trabalho dos rapazes, que a todo momento precisam pegar ferramentas, sentar, levantar, deitar, levantar, voltar a sentar no chão, se enfiar pra dentro do motor, entrar debaixo do carro. A oficina estava lotada de serviços, e os demais mecânicos seguem nesse mesmo fluxo.

Decido sair para um caminhada para sentir o clima da cidade.

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